Espetáculo do grupo de teatro ‘Morro Encena’ aborda a violência sofrida pela mulher e a banalização do feminicídio

Texto: Assessoria do Centro Cultural UFMG

Na sexta-feira, dia 31 de março de 2023, às 18h30, o Centro Cultural UFMG recebe o grupo de teatro Morro Encena, do Aglomerado da Serra, para a apresentação do espetáculo teatral ‘Anjos’. De autoria e direção de Hérlen Romão e elenco formado por mulheres negras, a peça aborda de forma poética a violência sofrida pela mulher e a banalização do feminicídio. O espetáculo é inclusivo e sensorial, construído para atender também as pessoas com deficiência auditiva e visual. O evento integra o projeto Baixo Centro En[cena], como parte da programação do Circuito Cultural UFMG. A entrada é gratuita e a classificação indicativa é de 12 anos.

Sinopse

A peça narra de forma poética a história de uma mãe que se prepara para a chegada da filha e da filha que se prepara para visitar a mãe. Essa mulher sente orgulho em ser dona de casa, mãe e esposa, porém, como tantas outras, não tem consciência das agressões vividas no cotidiano. A filha, por sua vez, precisa conviver com a intensidade de sentimentos causados pelo sofrimento da mãe.

‘Anjos’

O espetáculo aborda o drama de duas Ângelas, mãe e filha, que vivem separadas em razão da violência do marido e pai. De típica família de classe média, Ângela, a mãe, desempenha com esmero sua ‘função’ de dona de casa e boa esposa.

Apesar de toda dedicação e cuidado é vítima constante das agressões físicas e verbais do esposo, além de viver a amargura de estar longe da filha Ângela, que foi estudar dança em Londres, sobretudo para não presenciar a violência sofrida pela mãe.

Diante da expectativa da chegada da filha, que entrará de férias estudantis, a mãe, angustiada e ansiosa, não vê o momento do retorno de sua filha amada.

A violência contra a mulher

Coordenado, na sua concepção, por Eid Ribeiro (Armatrux), com texto e direção de Hérlen Romão, o espetáculo propõe uma reflexão sobre o papel da mulher – em situação de violência doméstica – na sociedade, e de seus filhos, igualmente vítimas dessa violência.

Interpretado por moradoras da periferia, vítimas e testemunhas de constantes agressões, o grupo de teatro Morro Encena tem como principal missão dar voz, espaço e visibilidade a essas mulheres que, “em meio a filhos, chefes e maridos, ensaios, livros, lições, missões, acordos, discursos e discussões, transformam vidas em atos e ações”, diz Hérlen Romão.

A poesia de Florbela Espanca
‘Anjos’ traz poemas adaptados de Florbela Espanca – poetisa portuguesa, autora de sonetos e contos importantes da literatura de Portugal e uma das primeiras feministas do mundo – que contribuem com a atmosfera poética que envolve o espetáculo, conduzindo o público para um momento de contemplação e reflexão.

Inclusão

O espetáculo é inclusivo e sensorial, pensado para atender também as pessoas com deficiência auditiva e visual, contendo adaptações sensoriais.

Sobre o grupo de teatro Morro Encena

Criado em 2009, no Aglomerado da Serra, o grupo é formado por cinco mulheres negras, as atrizes Andresa Delmondes, Beatriz Alvarenga, Érica Lucas, Hérlen Romão e Sandra Sawilza, além de Daniele Amaral, atriz convidada para o espetáculo Anjos. O Morro Encena aborda questões relacionadas ao universo feminino e traz em sua gênese provocações sobre a representação do negro na sociedade contemporânea.

O Baixo Centro En[cena] faz parte do Circuito Cultural UFMG, um projeto da Pró-Reitoria de Cultura da UFMG, por meio do qual artistas locais, regionais e de relevância nacional e internacional se apresentam para a comunidade. O objetivo principal é promover a articulação, interação e interlocução entre todos os espaços culturais vinculados à PROCULT, potencializando a integração das ações artístico-culturais da UFMG. Todas as atividades são gratuitas e abertas para a comunidade externa.

‘Anjos’
Grupo de Teatro Morro Encena
Data: 31/03/2023
Horário: 18h30
Duração: 60 minutos
Local: auditório do Centro Cultural UFMG
Entrada gratuita | Classificação: 12 anos

Ficha Técnica
Autora/Direção: Hérlen Romão
Produção: Luciana Simplício, Josiane Magna
Atrizes: Andressa Romão, Daniele Amaral e Sandra Sawilza
Concepção figurino: João Lopes
Adaptação figurino: Andressa Romão
Tradução libras: Rosângela Oliveira

NEDEC recebe a artista carioca Andréa Hygino, na Escola de Belas Artes da UFMG

Texto: Sandro Ka

Na próxima segunda-feira, dia 27/03, o Grupo de Pesquisa NEDEC – Núcleo de Estudos e Ensino em Desenho Contemporâneo (EBA/UFMG), por meio da linha de pesquisa “Desenho e Hibridismos de Linguagens”, convida a artista Andréa Hygino (@andreahygino) para uma conversa sobre sua produção artística artística, circulação no circuito artístico e representatividade, com mediação do Profa. Dra. Camila Moreira. A atividade acontecerá no Ateliê 7 de Desenho, das 10h às 12h, com entrada franca, aberta à comunidade acadêmica e público interessado, celebrando as atividades do início do ano letivo.
Andréa Hygino (Rio de Janeiro, 1992) atua como artista visual, arte-educadora e professora. É bacharela em Artes Visuais (UERJ) e mestra em Linguagens Visuais (PPGAV-EBA-UFRJ). Foi professora substituta de desenho da Escola de Belas Artes (EBA-UFRJ) (2019-2020). Atualmente é professora substituta do Instituto de Artes da UERJ.
Em sua pesquisa, a artista se debruça sobre o ambiente escolar, os processos de aprendizado, adestramentos, disciplina, repetição e encontra na desobediência de estudante o lugar necessário de contestação e criação. Nos trabalhos, as memórias de infância – da escola criada por sua mãe que funcionava em casa – se entrelaçam às experiências do presente enquanto artista-professora/professora-artista e à condição da educação pública no Brasil.
Nos últimos anos integrou exposições coletivas em espaços nacionais e internacionais de referência, como o Museu de Arte Contemporânea – Niterói, Galeria Antônio Sibassoly (GO), Galeria Nara Roesler (Nova Iorque) e Galeria Belmacz (Londres); Foi vencedora do 3º Prêmio SeLecT de Arte e Educação (categoria Camisa Educação) e do Prêmio FOCO ARTRio 2022. Entre dezembro (2021) e fevereiro (2022), participou de residência artística na Bag Factory Artists’ Studio e realizou uma ocupação no Wits Art Museum, em Joanesburgo, África do Sul. Atualmente, participa da residência artística do JA.CA Center (MG).

Créditos:
Obra: P.E. Matheus coração, 2013-2021/Série Prova de Estado (Caapiranga produções)
Foto perfil: Rudolf Kurz


NEDEC Convida  Andréa Hygino
27 de março 
10h às 12h.
Local: Ateliê 7 de Desenho
Entrada franca

 

Teatro UFMG promove bate-papo com Rejane Faria e apresentações interativas entre veteranos e calouros

Texto: Assessoria de Imprensa da UFMG

O Centro Acadêmico do Teatro da Escola de Belas Artes (EBA) da UFMG promove dois eventos na próxima semana, nos dias 22 e 23 de março, abertos a todos os interessados. A atriz Rejane Faria irá realizar um bate-papo na quarta-feira, às 14h30. No dia seguinte, às 16h, os alunos veteranos do curso de graduação em Teatro articulam apresentações com seus calouros.

Rejane Faria, renomada atriz do grupo mineiro 4 Los 5 e protagonista do filme Marte Um, vem à escola de Belas Artes para conversar com o público e falar um pouco de sua carreira e trajetória pessoal até chegar nos palcos e telonas. O evento acontece no auditório da Escola, no campus Pampulha. O público é livre e a entrada é gratuita.

Com o intuito de mostrar para o que vieram, os veteranos de Teatro, junto com o Centro Acadêmico do curso, articulam apresentações para revelar os talentos dos calouros 2023/1. Todos são convidados para ver os próximos artistas que serão formados pela graduação em Teatro da UFMG. A atividade também será realizada no auditório da EBA. O público é livre e a entrada é gratuita.

Edital do Programa de Monitoria da Graduação – Design Sonoro

A Chefe do Órgão Acadêmico Responsável do Departamento de Fotografia e Cinema, Professora Patrícia Gomes de Azevedo , faz saber que, no período de 17/03/2023 a 03/04/2023 , de 18:00:00 às 23:59:00 horas, a Secretaria do Departamento de Fotografia e Cinema (dftc@eba.ufmg.br) receberá as inscrições de candidatos para o exame de seleção do Programa para atuar nas  disciplinas/atividades com carga horária de 12 horas semanais.

Edital PMG 001-2023 – Design Sonoro

Curso de Graduação em Teatro da EBA-UFMG apresenta: “Teatro à venda: comédias populares”

Texto divulgação

Foto divulgação
Foto divulgação

Inspirado na ideia do teatro de feira, do teatro popular, o espetáculo “Teatro à venda: comédias populares” traz um grupo de dezesseis artistas da cena que precisa vender seu trabalho para viver, isto é, seu teatro. O grupo apresenta, então, suas cenas como “amostras grátis”. Se o público gostar, poderá, ao final da apresentação, fazer contato com a trupe no @teatroavenda e comprar suas cenas e performances. Mas, antes disso , ao final da apresentação, pode dar também a ela alguma contribuição…A composição das cenas é inspirada em quatro comédias do brasileiro Martins Pena (século XIX), Judas em sábado de Aleluia, A família e a festa na roça, O caixeiro da taverna e O usurário. Com elas, ressaltamos questões culturais e sociais brasileiras que são importantes de se apresentar, e também combater, como o patriarcado, o machismo, o racismo, a homofobia, a transfobia, a aporofobia, o autoritarismo e preconceitos ainda existentes na relação com cultura e a arte da cena popular. Queremos sair do século XIX!

Foto divulgação


A encenação traz uma barraca de feira cenográfica, de aparência modesta, na qual são apresentadas as cenas como “amostra grátis”. Valoriza-se o jogo da atuação nas composições cênicas criadas, buscando a maior inventividade junto a elementos grotescos, mascareiros, farsescos e da arte da cena popular. E, é bom lembrar, USE MÁSCARA!

 

 

 

Foto divulgação

Ficha artística e técnica cênica:

Concepção e Direção geral: Bya Braga

Atuação:
Amanda Fuchs
Annabelle Lithg
Carolina Perez
Dolly Piercing
Fabricio Policarpo
Isabella Saibert
Jake Macedo
Laura Lopes
Leticia Araujo
Lorena Braga
Maria Marta Cordeiro
N1cks
Ramon Frank
Tamires Dantas
Tereza Castro
Vinicius Sbampato

Foto divulgação

Orientação cênica para criação e confecção de figurinos, cenografia e mascaramentos:
Daniel Ducato (Laboratório de Cenotécnica-Equipe do Departamento de Artes Cênicas da
EBA-UFMG)
Assessoria de figurino (criação e confecção):
Sávio Rocha (Laboratório de Vestimenta Cênica-Equipe do Departamento de Artes Cênicas da
EBA-UFMG),
Gabriela Souza
Adelita Siqueira
Máscaras e objetos cênicos:
Daniel Ducato
Tarcísio de Campos Ribeiro (meias-máscaras expressivas de velhos)
Gabriel Coupe (máscaras inteiras expressivas de reisado)
Assessoria cenotécnica:
Cristiano L.B.
Kyria Araujo
Milá Ott
Renata Lanier

Iluminação (criação e operação):
Eliezer Sampaio e Ismael Soares (Laboratório de Iluminação-Equipe SLOP e Departamento de
Artes Cênicas da EBA-UFMG)

Foto divulgação

Comédias de Martins Pena (século XIX) utilizadas nas composições de cenas: Judas em sábado
de Aleluia; A família e a festa na roça; O caixeiro da taverna e O usurário.

Dramaturgização e trovas: Bya Braga
Produção Executiva: Lorena Braga
Assessoria de Produção Executiva:
Isabella Saibert
Vinicius Sbampato
Designer Gráfico:
Fabricio Policarpo
Músicas utilizadas:
Domínio público
Composições de Maurício Tizumba (Camelô de farol; Povo bom)
Assessoria cênico-musical:
Gabriel Couto
Saulo Moraes Sá Nascimento
Monitoria acadêmica em teatro:
Guilherme da Luz Santos
Letícia Alves Araujo
Ramon Frank de Araujo Sousa

Foto divulgação

Fotografia:
Guilherme Costa

Filmagem:
Amestia Productions

Apoio:
Espaço do Conhecimento UFMG
Apoio logístico:
SLOP-EBA-UFMG (TAE Rosângela Sales Félix Bissiate)
Apoio de pesquisa cênica:
Grupo de Pesquisa LAPA-UFMG/CNPq (Laboratório de Pesquisa em Atuação
FAPEMIG-Projeto de pesquisa APQ-01825-21 – Cena e Bem-estar
Realização:
Curso de Graduação em Teatro da Escola de Belas Artes da UFMG
Disciplina Prática de Criação A (2022.2) -Estudantes do período.

 

Serviço:
Espetáculo: Teatro à venda: comédias populares
Quando: 03 de abril 
Horário: 12 horas.
Classificação: Livre
Onde: Piscinão – Pátio central da Escola de Belas Artes
Entrada franca
Duração: 1h10min (Aproximadamente)

Concurso e Conversa com o Artista na Exposição Desenho: Modelos Vivo

Texto: Michel Morais

O desenhista e acadêmico Eugênio Paccelli Horta é o convidado do “Conversa com o Artista” no Ateliê 6 da Escola de Belas Artes nesta quarta feira dia 22 de março às 14h. Mediada pelo Professor Sandro Ka do Departamento de Desenho EBA/UFMG e com a participação da multiartista e modelo vivo Andrea Dário, a conversa integra a programação da Exposição Desenho: Modelos Vivos e tem início logo após a abertura da exposição. Além dessa atividade, o evento contará com o 2º Concurso Cabeça de Papel que premiará três participantes que elaborarem um chapéu ou máscara em papel, apresentando-os no dia da abertura da exposição e conversa com o artista.
Adrea Dário, que também é a curadora da exposição, observa que “esta exposição, que Eugênio Pacceli Horta nos privilegia com o olhar que constrói como exercício contínuo, é fruto das inter-relações sensíveis que escolhe estabelecer com a imagem do modelo para estimular o seu imaginário, a sua didática, metodologia e processos criativos; com foco na presença e na performance do Modelo Vivo (Vivo).” A curadora explica que os desenhos em exposição são frutos de um observador inquieto e da reflexão sobre a figura humana que Eugênio carrega desde a sua formação artística como bailarino até sua atuação como desenhista e acadêmico, haja vista todos os desenhos apresentados serem produzidos em sala de aula junto aos alunos entre os anos de 1995 e 2022. Ainda destaca, dessa exposição, a conformação de um diálogo entres artistas, aquele que observa e aquele que é observado, configurando, em suas palavras, uma “homenagem singela à existência dos modelos vivos e à sua importância da elaboração do pensamento plástico.”

Exposição Centro Cultural UFMG: obras em cerâmica de Sabrina Damas simbolizam sua gestação

Texto: Assessoria do Centro Cultural UFMG

O Centro Cultural UFMG promove a abertura da exposição Embaraço, da artista Sabrina Damas, no dia 21 de março, às 19h. A mostra tem a curadoria do professor Fabrício Fernandino e poderá ser vista até o dia 23 de abril. A entrada é gratuita e integra o projeto Escultura no Centro, que destaca os trabalhos tridimensionais desenvolvidos por alunos do curso de Artes Visuais com habilitação em Escultura da Escola de Belas Artes da UFMG. A classificação é livre.

Embaraço, por Sabrina Damas

“O ato de criar e manusear o barro sensibiliza e invoca em mim memórias afetivas que afloram intuitivamente”. São sentimentos profundos que, deslizantes por entre meus dedos, conformam o objeto arte. São percepções que antes foram moldadas no íntimo da alma. Por meio da materialidade do barro consigo expressar o que verdadeiramente me importa: o que sou e o que sinto. Ao revelar essa intimidade, pelos meus gestos exponho minha identidade, minha ancestralidade e minha essência.

Ser ventre, gestar de forma plena uma nova vida, me transformou profundamente de uma maneira muito feliz. Com a mesma intensidade, uma perda espontânea que tive revelou uma dor aguda, indescritível e marcante. A maternidade trouxe respostas às delicadas questões artísticas e subjetivas que insistiam estarem presentes em minha consciência. Entendimentos que só pude compreender após me tornar mãe. A maternidade me completa.

Com a arte compreendi que eu sou meu próprio casulo. Esta é uma forma recorrente em meu trabalho, porque sou ventre, sou casa, sou ninho, aconchego, proteção, alimento e afeto.

As obras que apresento no Centro Cultural UFMG foram resultantes de reproduções realizadas a partir de um molde há anos guardado. Esse molde foi feito da minha barriga grávida com nove meses de gestação. Era a filha nascente, primeira filha, hoje com 14 anos.

Nestas obras tento invocar subjetivamente o que representa a emoção de gerir uma vida. Nelas, entre as marcas de dedos e gestos, registro um turbilhão de sentimentos fortemente ancorados em minha essência maternal. São processos intensos que continuam com o viver ou que, por casualidade foram interrompidos, podem vir a não se revelar em sua plenitude.

Com minha arte descobri que na vida tudo é um ciclo, tudo é mutação. O fim pode ser o começo, uma nova consciência, outra vida. Do vir a ser mãe ou de quem vem ao mundo por meio dela.

Assim também é o processo da arte cerâmica. É cíclico, constituído pelos elementos universais. É fogo, água, terra e ar. Tudo é chama que arde e transmuta, é a fragilidade da matéria úmida que se torna resistente pelo movimento do ar sob a ação do calor. Essa arte do barro ensina sobre desapego, sobre o inesperado, sobre a surpresa de uma obra que pode se romper e, a qualquer momento, voltar a sua essência, ser pó. Desta forma, o ciclo se completa e renova. Do pó ao barro, do barro a forma, da forma ao pó.”

A artista

Sabrina Damas é mãe de duas, ceramista, artista pesquisadora e arte-educadora. Atua, principalmente, na área da criação tridimensional, tecelagem, trançado, pintura, desenho, poéticas visuais e tecnologia dos materiais. É mestranda em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes da UFMG e arte-educadora do Centro Cultural Venda Nova, da Fundação Municipal de Cultura (FMC-PBH), onde ministra diversos cursos e oficinas.

Escultura no Centro

O projeto busca valorizar e expor os trabalhos tridimensionais desenvolvidos pelos graduandos e pós-graduandos do curso de Artes Visuais com habilitação em Escultura da Escola de Belas Artes da UFMG.

 

Embaraço – Sabrina Damas

Período expositivo: 21/03/2023 a 23/04/2023

Terças a sextas: das 9h às 20h

Sábados, domingos e feriados: das 9h às 17h

Espaço Expositivo Vão da Escada do Centro Cultural UFMG (Av. Santos Dumont, 174 – Centro – Belo Horizonte/MG)

Classificação: livre

Entrada gratuita

Cristhina Bastos e Kyria Oliveira unem suas obras em exposição no Centro Cultural UFMG

Texto: Assessoria do Centro Cultural UFMG

O Centro Cultural UFMG convida para a abertura da exposição Liames, das artistas Cristhina Bastos e Kyria Oliveira, na sexta-feira, 17 de março, às 19h. A mostra reúne objetos e instalações que remetem às questões do tempo, seja o tempo passado, o tempo presente ou o tempo vindouro. As obras poderão ser vistas até o dia 24 de abril. A entrada é gratuita, com classificação livre.

A etimologia da palavra liame vem do latim ligamen, do verbo ligare, ou seja, vínculo, unir, atar, ligar. Cristhina Bastos e Kyria Oliveira trabalham a singularidade da matéria e da criação e se aproximam ao compartilhar da mesma poética, ainda que de formas diferentes.

Cristhina trabalha a construção do casulo e, muitas vezes, casulos habitando casulos, como o homem habitando a si mesmo.  Ela usa da artesania do tecer de forma que a corda, o alumínio, o cobre e o latão ganham uma nova percepção a partir de sua construção conceitual.

Kyria trabalha com a diluição da forma pelo tempo, inspirada por paredes antigas castigadas pela ação do mesmo. Ela constrói desconstruindo, rasgando e subtraindo a matéria para dar origem a uma nova concepção.

O vínculo das artistas é a construção diária de um diálogo com o passado, com o presente e com o futuro. Enquanto Kyria olha em direção ao passado e à história para construir seu trabalho, Cristhina projeta para o futuro ao construir seus casulos.

“O rasgar, cortar e sobrepor camadas faz parte da pesquisa e do questionamento sobre o que somos como resultado do que fomos. É a construção da memória para não esquecer o passado. Por outro lado, acrescentar, liar, criar laços e ligas fazem parte da construção de memórias para o futuro”, expressam as artistas.

O casulo – por Cristhina Bastos

“O casulo está no imaginário coletivo como habitat das nossas transformações. Somos impulsionados por nossos desejos de mudar, transformar, melhorar e, que a princípio, parte das idealizações que fazemos, entretanto nem sempre esse ideal imaginado será o real.

A velocidade das mudanças sociais, culturais e familiares na contemporaneidade quase nunca é compatível com o tempo emocional de cada um de nós. O que ocorre, em muitos casos, é que desejamos a mudança, sentimos necessidade de mudar e, no entanto, quando iniciamos o processo de transformação encontramos uma grande dificuldade em adaptarmos às novas situações apresentadas, por nos encontrarmos fixados ao passado, nas formas de nossos casulos anteriores.

Nas obras aqui apresentadas construo casulos dentro de casulos e este corpo, dentro de outro corpo, tem o intuito de carregar em seu discurso simbólico o desejo da mudança e de que não somos estáticos, prontos, acabados e que a vida é um longo processo de construção e reconstrução de nós mesmos, da espécie e da paisagem que nos envolve.

Os liames estão no processo de que as novas transfigurações sempre dependeram das premissas das transfigurações anteriores e de que estas mutações ocorrem sempre de dentro para fora.”

O trabalho de Kyria Oliveira – por Clara Sampaio

“Em seu percurso como artista, Kyria Oliveira investiga a imagem do passado em sua frágil forma presente. Como uma espécie de arqueologia de seu universo, coleta os desenhos criados a partir da constância do desgaste e das intempéries nas paredes e estruturas de seu ateliê.

Essa condição instável do objeto documentado determina que a artista tenha rapidez e precisão em sua catalogação. Tal observação habitará, posteriormente, estruturas em ferro, papéis e tecidos, materiais vivos também sujeitos à ação do tempo. A escolha por esses suportes indica que nem mesmo o registro é algo perene, definitivo.

Em Vestígios, camadas recortadas ampliam a dimensão do desenho ao incorporar luz e sombra como valores tridimensionais. O jogo luminoso marca, mesmo que provisoriamente, as paredes de sua nova morada e, feito um palimpsesto, escreve histórias dentro de outras, deixando um pouco de si e levando outro tanto consigo em cada viagem.”

Cristhina Bastos é bacharel em Pintura pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (2003) e pós-graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da mesma universidade (1993).

​Kyria Oliveira é bacharel em Artes Plásticas pela Universidade Federal do Espírito Santo (2003).

Serviço:

Exposição Liames – Cristhina Bastos e Kyria Oliveira

Abertura: 17 de março | 19h

Visitação: até o dia 23/04/2023

Terças a sextas: 9h às 20h

Sábados, domingos e feriados: 9h às 17h

Sala Celso Renato do Centro Cultural UFMG  (Av. Santos Dumont, 174 – Centro – Belo Horizonte/MG)

Classificação indicativa: livre

Entrada gratuita