Texto: Assessoria de Imprensa da UFMG
Estudantes, professores, servidores técnico-administrativos e profissionais terceirizados da UFMG já podem participar do II Mapeamento Cultural da UFMG 2022-2023. A pesquisa, que dá continuidade ao levantamento realizado no triênio 2019-2021, tem como objetivo identificar os agentes individuais, coletivos e espaços que produzem cultura na Universidade. Quem participou do último mapeamento pode e deve participar novamente, cadastrando novas ou antigas iniciativas em andamento. O novo formulário pode ser respondido até 29 de dezembro.
Realizado pela Pró-reitoria de Cultura da UFMG (Procult), o mapeamento tem como objetivo conhecer os agentes e o contexto das práticas culturais na Universidade, a fim de subsidiar a construção da política de cultura da UFMG.
“O I Mapeamento Cultural da UFMG teve como objetivo fazer um levantamento e uma consequente reflexão sobre o campo cultural na universidade para dar continuidade ao desenvolvimento de sua política cultural. Registramos uma importante participação dos estudantes da universidade (59% dos participantes), bem como de grupos de pesquisa e grupos artísticos ligados à UFMG. Além de possibilitar o reconhecimento dos agentes, espaços e ações culturais, no âmbito da universidade, o I Mapeamento evidenciou redes dos agentes da UFMG com a comunidade externa e interunidades e ressaltou, de modo significativo, a diversidade e transversalidades das ações culturais desenvolvidas pela UFMG nos anos de 2019, 2020 e 2021”, avalia a pró-reitora adjunta e coordenadora da pesquisa, Mônica Ribeiro.
Análise longitudinal
Os levantamentos periódicos serão feitos a cada dois anos com objetivo de traçar um retrato dos agentes e ações culturais da UFMG no período e possibilitar uma análise em longo prazo dos processos culturais da universidade. “O II Mapeamento Cultural da UFMG tem o objetivo de inventariar as ações, agentes e espaços culturais da UFMG nos anos 2022 e 2023, identificando, inclusive, aquelas que atuam de modo contínuo. Pretendemos, ainda em nossa gestão, realizar mais dois mapeamentos: um por meio de pesquisa documental e bibliográfica, em 2024, e outro por meio de questionário, como o atual. A expectativa é fazer uma análise longitudinal que contemple ações, espaços, sujeitos de cultura da UFMG e suas relações com a comunidade externa, englobando os anos de 2019 a 2025, com foco na identificação da marca da diversidade e transversalidade das culturas praticadas na universidade”, conclui Mônica Ribeiro.
Quem pode participar?
Todos as pessoas da comunidade acadêmica que estudam, pesquisam e trabalham com cultura e arte, ou que contribuam para a divulgação e desenvolvimento das atividades culturais, são convidados a participar do levantamento. O formulário leva de cinco a 10 minutos para ser respondido.
Quem participou do último mapeamento pode se cadastrar novamente, indicando as mesmas atividades ou outras. Não é necessário que as ações desenvolvidas estejam vinculadas institucionalmente à UFMG para serem incluídas na pesquisa. São aceitos projetos de cunho pessoal, acadêmico ou profissional, realizados dentro ou fora do ambiente universitário, nas seguintes modalidades de participação:
Agente individual: estudantes, pesquisadores, artistas, trabalhadores da área de cultura, professores e servidores técnico-administrativos e profissionais terceirizados, entre outros.
Agente coletivo: grupos de pesquisa, de estudo, artísticos, cineclubes, coletivos, feiras, festivais, podcasts e eventos, entre outros.
Gestor de espaço cultural: centros de comunicação, de divulgação, livrarias, editoras, museus, espaços artístico-culturais, entre outros.





Celestino vem contar-nos, através de seu diário, redigido nos anos de 2002/03, sobre sua visita à pequena vila de Louveira, distrito de São João dos Barros, mas abandonada pela maioria de seus habitantes, no início do século XX. Seu diário se tornou, para nós que o conhecemos recentemente, uma obra na qual o biólogo formula seu pensamento, desenha sobretudo os seus projetos de pesquisa, incluindo o seu objeto de estudo, o lindo pássaro Sabiá Estrelado — Turdus stellaventris. Conta seus encontros e segredos coletados por onde anda, revela-nos paisagens e tantas lembranças dessa passagem de sua vida. No início, Celestino Aguiar anotava livremente seus pensamentos, mas observamos que, no decorrer das páginas de seu diário, recolhe notas de trabalho em forma de desenhos, mapas, nuvens, grutas, herbário, frotagens e experiências que fazem com que seu diário, com suas páginas sensíveis, ilustradas e poéticas, nos apresentam um Celestino artista, diríamos nós, que após encontrá-lo, nos interessamos por sua história solitária, pela qual escutamos o artista conversar com ele mesmo. Celestino, biólogo e flâneur, considera que seu verdadeiro trabalho é andar e buscar, estar atento para encontrar. Estima que seu dever é conservar o traço da vida do pássaro, salvá-lo do esquecimento, alertar sobre a preservação de sua espécie, estar na natureza completamente e celebrá-la! Às vezes, frases mínimas servem para elaborar o seu saber de biólogo: a data da eclosão de uma flor, o esplêndido dia em que viu seu pássaro bebericar água no riacho perto da gruta (e depois voar rente à água roçando as suas asinhas criando assim desenhos líquidos e inefáveis), inventário de plantas, registros meteorológicos sobre fenômenos naturais e outras visões. Enfim, o seu diário é o lugar através do qual Celestino pensa a sua vida e se constrói. Nele, orienta suas ações e constitui um precioso meio para observar sua vida interior, sua alegria cotidiana quando percorre a natureza, só, mas bem junto a ela.