Os projetos finais apresentados nesta mostra, desenvolvidos pelos alunos da disciplina Fotografia de Moda, foram desenvolvidos respondendo ao desafio de pensar diversas oposições complementares como dispositivo, formal e conceitual, para produzir as imagens fotográficas que compõem a exposição. O conceito Yin/Yang, central no taoísmo, constituiu o marco para pensar essas oposições complementares: não existe nele a noção de unidade sem oposições internas e nem sem as devidas negociações entre opostos que permitem construir quaisquer conceito: o repouso pressupõe o trabalho e não tem ‘dia’ sem a noção de ‘noite’. Da mesma forma, diversos historiadores da arte (Wölfflin, por exemplo) assinalam que, na hora de tentar compreender a evolução histórica das correntes estéticas, algumas oposições básicas constituem o elemento essencial que produz o movimento (pendular muitas vezes) da história das artes: entre linear e pictórico; entre unidade e pluralidade, entre forma fechada e forma aberta; entre luz e obscuridade e assim por diante. Foram essas contraposições pendulares, tanto formais quanto filosóficas e conceituais, que constituíram a base para a produção dos projetos aqui apresentados, realizados não unicamente pensando no tripé básico de formação da imagem fotográfica (ISO, Abertura de diafragma e Tempo de Exposição) senão também a partir desse outro tripé constitutivo da disciplina Fotografia de Moda: as relações, diálogos e negociações entre Arte Fotografia e Moda.

