A IMAGEM GÓTICA DE NOSSA SENHORA DA NAZARÉ E A SUA ICONOGRAFIA ARTÍSTICA EM PORTUGAL E NO BRASIL (SÉCULOS XIV-XVIII)

Autores

  • Vitor Serrão Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

Palavras-chave:

Escultura Gótica, Senhora da Nazaré, Culto Mariano, Conservação e Restauro, Iconografia Sacra.

Resumo

O restauro recente da escultura de Nossa Senhora da Nazaré existente no Santuário onde é cultuada na vila da Nazaré (Portugal) atestou a ancianidade dessa peça devocional, lavrada em madeira de oliveira e que data ainda do século XIV. Trata-se de uma versão iconográfica da Senhora do Leite e mostra inesperadas qualidades artísticas, que se estendem à policromia. O culto em causa, um dos mais antigos processos de legitimação do marianismo existentes no Mundo, cresceu a partir do seu santuário-berço na Nazaré, e vai conhecer, a partir do século XVII, grandes ramificações um pouco por todos os espaços lusófonos. É, sobretudo, no Brasil que atinge o seu clímax, no declinar do século XVIII, no santuário de Belém de Pará e com o célebre Círio, património imaterial classificado pela UNESCO. A iconografia medieval assumida na escultura manteve o seu tipo matricial, por razões que se analisam e explicam através de numerosas versões eruditas e populares.

Biografia do Autor

Vitor Serrão, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

Professor Catedrático Emérito da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e investigador sénior do Instituto de História da Arte (ARTIS). Licenciado em História (1974) pela ULisboa, mestre (1983) e doutor (1992) em História da Arte pela Universidade de Coimbra, com agregação (2002) pela ULisboa, especializou-se no estudo da pintura maneirista e barroca em Portugal, na teoria da imagem e nos processos de globalização artística no contexto do antigo Império Português. Autor de vasta obra científica e de referência, como A Pintura Maneirista em Portugal e Josefa de Óbidos e o Tempo Barroco, orientou numerosas dissertações de mestrado e doutoramento, coordenou projetos financiados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e exerceu cargos de direção no ARTIS, Instituto de História da Arte (IHA) e na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL). É membro da Academia das Ciências de Lisboa, da Academia Portuguesa da História e da Academia Nacional de Belas-Artes, tendo sido condecorado como Comendador da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada (2008) e distinguido com a Medalha de Mérito Cultural (2024).
2 Institudo de História da Arte da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Downloads

Publicado

2026-01-03

Edição

Seção

ARTIGOS DE AUTORES CONVIDADOS