AS TRAJETÓRIAS DE NOSSA SENHORA DAS DORES E DE NOSSA SENHORA DA FÉ NA IGREJA DO ANTIGO COLÉGIO DA BAHIA:

CATEDRAL BASÍLICA DE SÃO SALVADOR

  • Belinda Maria de Almeida Neves
Palavras-chave: : Imaginária colonial, Nossa Senhora das Dores, Nossa Senhora da Fé, . Antiga Sé da Bahia., Catedral de Salvador

Resumo

Estudos parciais sobre a movimentação da imaginária religiosa na antiga igreja do Colégio da Bahia, atual Catedral Basílica de São Salvador. Apresentamos aspectos iconográficos e históricos das imagens de Nossa Senhora das Dores e de Nossa Senhora da Fé, nos seus respectivos altares de origem, e o seu percurso por outros altares e recintos até a sua localização nos dias atuais. A análise e interpretação dessas trajetórias foram realizadas mediante pesquisa em pinturas e fotografias históricas, fontes bibliográficas e entrevistas. A imagem de Nossa Senhora das Dores, do século XVIII, pertencia ao altar da sacristia do Colégio dos jesuítas na Bahia e estabelecia diálogo com o altar defronte a esse, do Cristo Crucificado, além das pinturas do teto no mesmo recinto, conforme o programa iconográfico estabelecido pelos religiosos da Companhia de Jesus. Posteriormente, esses dois altares receberam frontais de estilo neoclássico e o de Nossa Senhora das Dores também uma vitrine, com a intenção de proteger a imagem. Na década de 1980 a referida sacristia foi submetida à restauração e a imagem original substituída pela de Nossa Senhora da Fé, no mesmo altar, onde ainda se encontra atualmente. A imagem de Nossa Senhora da Fé, século XVII, originária da antiga Igreja da Sé, demolida em 1933, é revestida em folha de prata. Fruto de devoção fervorosa de uma irmandade homônima, composta por rapazes solteiros. Na Catedral, para abrigar a imagem de Nossa Senhora da Fé foi escolhida a capela de Santo Inácio de Loyola, ali permanecendo por mais de três décadas. Há registros de pinturas e fotografias da mesma imagem no arcaz da sacristia e, posteriormente, na capela-mor, até a transferência para o altar onde hoje se encontra. Por sua vez, a imagem de Nossa Senhora das Dores seguiu outra trajetória pelo templo: foi inicialmente guardada nas dependências da igreja e, quando inaugurado o Museu da Catedral, para lá foi transferida. Após o início da restauração da capela-mor, a imagem seguiu para o Museu de Arte Sacra da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e lá passou por processo de limpeza e conservação, e na mesma instituição se encontra exposta ao público.

Biografia do Autor

Belinda Maria de Almeida Neves

Doutoranda em Artes Visuais – PPGAV-EBA-UFBA

Publicado
2020-08-02
Edição
Seção
ASPECTOS HISTÓRICOS E SOCIAIS