O uso da radiação gama para desinfestação de bens culturais

  • Marcia de Mathias Rizzo
Palavras-chave: ciência da conservação, desinfestação, radiação gama, macro e micro organismos

Resumo

As obras de arte fazem parte do patrimônio cultural da humanidade e estão sujeitas às degradações físicas, químicas e biológicas. Do ponto de vista físico-químico, elas são sistemas complexos em cujas interfaces ocorrem inúmeras alterações. Do ponto de vista biológico, elas fazem parte do ecossistema e podem ser utilizadas como substrato por macro e micro organismos (RIZZO, 2008). O ataque biológico é um tema muito importante na preservação do patrimônio cultural, especialmente no Brasil, devido ao clima tropical, que favorece a contaminação e proliferação desses organismos. Dentro do conjunto das obras de arte, as esculturas de madeira policromada são as maiores vitimas de ataque por térmitas, sendo vorazmente devoradas por esses insetos.

Por outro lado os métodos tradicionais, que utilizam produtos químicos, como venenos, para desinfestação, podem interagir com a obra e seus substratos causando danos irreversíveis. Adicionalmente, eles fazem mal aos restauradores, ao publico em geral e ao meio-ambiente.

Como alternativa a esses métodos, tem-se utilizado a atmosfera anoxia, introduzida nos anos 90 pelo professor Robert Koesler.

Outro método alternativo de grande eficácia apresentado aqui, é a utilização da radiação gama em obras de materiais diversos com policromia, utilizado no Brasil desde 2001 pela autora deste texto com pesquisas junto ao IPEN – Instituto de Pesquisas Energéticas Nucleares. O método é bastante seguro e pode eliminar macro e micro organismos. Ele requer conhecimento e estudo prévio dos materiais componentes da obra e calculo da quantidade e tempo de radiação especifica para cada caso. Assim como a atmosfera anoxia, ele não tem efeito residual, portanto requer que a obra seja protegida de futuros ataques após a desinfestação.

Biografia do Autor

Marcia de Mathias Rizzo

docente do Curso Superior de Conservação e Restauro da PUC-SP

diretora da MRIZZO Laboratório de Conservação e Restauração de Bens Culturais Ltda.

Publicado
2015-01-01
Edição
Seção
CONSERVAÇÃO E RESTAURO