Forma e matéria

a escultura barroca de Santo Estêvão do Museu de Santa Maria de Lamas

  • Carolina Barata
  • António João Cruz
  • Jorgelina Carballo
  • Maria Eduarda Araújo
  • Vítor Teixeira

Resumo

Da colecção de arte sacra do Museu de Santa Maria de Lamas, no norte de Portugal, que tem vindo a ser tratada na Escola das Artes da Universidade Católica, no Porto, faz parte uma escultura sobre madeira, de vulto pleno, dourada e policromada, com 115 em de altura, que representa Santo Estêvão de pé, em posição frontal, com ligeiro avanço do pé direito, que se vislumbra sob a orla da alva. De autor desconhecido e história custodial incerta e sem registros, esta imagem exibe linhas formais e compositivas enquadráveis na produção da imaginária portuguesa da primeira metade de Setecentos. Apresenta traços pouco eruditos em termos formais e o estatismo e rigidez da pose revelam uma tendência popularizante na execução do suporte. Fisionomicamente a indumentária domina a anatomia, cujas formas submergem na rigidez da representação da dalmática (veste litúrgica dos diáconos). O carácter hirto é contrariado apenas pela colocação dos membros superiores de forma a sustentarem a estola dos diáconos, o livro (Evangeliário) e as pedras (recolhidas em parte da dalmática, dobrada para o efeito), instrumento do martírio do santo. A reduzida dinâmica na figuração e a ocorrência cuidadosa e regral dos atributos (pedras, livro aberto, indumentária) revelam atitude pouco imaginativa por parte do autor, mas iconograficamente a escultura cumpre a sua função litúrgica e devocional. De registar, no carácter menos erudito da imagem, a não ocorrência do atributo definidor da categoria dos mártires - a palma.

Publicado
2009-01-01
Edição
Seção
MATERIAIS, TÉCNICAS E CONSERVAÇÃO