entrevizinhanças

O que se avizinha, se aproxima e estabelece conexões.
Não muito longe, numa rua de um bairro qualquer, casas se aconchegam, ordenadas e equilibradas em suas limitações. Em cada casa há um sopro diverso de ideias e crenças, que são registros marcantes de cada individualidade. O vizinho da frente possui características diferentes do vizinho do lado direito, e o vizinho do lado direito talvez encontre pontos em comum com o vizinho do lado esquerdo, mas também pode vir a encontrar certas diferenças e aprender algo novo. Para habitar bem, lado a lado, é necessário que se encontre harmonia e diálogo, em um estreitamento de relações, onde diferenças representam uma oportunidade de somar singularidades.
Nossa exposição, neste ano de 2022, manifesta a vontade de conexão, reaproximação e apreço ao que é diferente. Cada artista traz consigo histórias que, vistas em conjunto na exposição, transformam as diferenças em bons encontros poéticos através de desenhos, fotografias, esculturas, pinturas, gravuras, riscos, texturas etc. Cada trabalho, em estado de espera, é um convite à contemplação das representações que ligam o indivíduo ao seu íntimo e a tudo que está à sua volta. Formas geométricas, cores e corpos se avizinham mobilizando reflexões e ações de engajamento, união e respeito às individualidades. Neste espaço, diferenças coexistem conectando saberes na criação de algo novo para ser levado ao mundo.
Embora a ideia de vizinhança possa nos remeter a uma partição estática e privada de um pedaço do solo, é possível imaginarmos que, se bem vivida, essa vizinhança é ser movente que conflui e conforma lugares e pessoas. Nesse movimento vivo e presente, os formandos de 2021/2, prontos e incompletos, seguem em frente. [Texto escrito pelos formandes]

Falar em vizinhanças é pensar em um sentimento de comunidade – como é a Escola de Belas Artes da UFMG – na qual as relações abarcam proximidade, familiaridade, mas também diferença. Isso se traduz no título – Entrevizinhanças –, um jogo de palavras com o estar perto e o convite a entrar, assim como nos diversos laços estabelecidos por alguns trabalhos entre si. Estes laços são perceptíveis em Alice Barcelos, Iwens Mulellos e Josimar Fortunato que, partindo de uma linguagem comum (a pintura), exploram temas diferentes, como a paisagem industrial, a paisagem urbana e a dualidade do indivíduo. O corpo é alvo de diferentes respostas: em Jhefferson Lacerda, ele traz uma carga moral e mitológica; Sonia Burgareli cria esculturas vestidas pelo corpo; para Heitor Fernandes ele se atrela a relações afetivas, traduzidas nas sutilezas de velaturas; mas por ele também se problematiza a construção de normatividades e estereótipos, como aponta Marcela Paim, trazendo dois modos diferentes de apontar para a invisibilidade e desaparição. O trabalho dela, aliás, traz o caráter político também colocado por Matheus Silva, Júlia Santana e Clara Bicalho, discutido a partir da cena social do presente, do espaço urbano e da metáfora da produtividade dentro do capitalismo. A questão gráfica, linguagem desses trabalhos, é o meio escolhido por Alice Massago, em séries nas quais o lirismo onírico é atravessado pela melancolia. Assentados em extremos – o elogio da manualidade e sua sobreposição ao virtual – são questões notadas, respectivamente, nos objetos de Lucianita Morais e Eduardo Zica. O lar, cuja negação ao seu direito é tensionada por Júlia Santana, surge no trabalho de Amanda Paim como uma questão de representação e memória interligadas, que encontrará nas montagens de Victoria Sofia um sentido narrativo, desdobrado em seu livro de artista.
Essa exposição, reunindo as obras da turma de formandes de 2021-2 é um importante marco: conclui uma trajetória que enfrentou desafios nos últimos dois anos, nos quais viver a vizinhança foi muitas vezes uma impossibilidade; mas também é o registro de conquistas, descobertas e percursos desejosos de novos futuros. [Texto escrito pelo Prof. Guilherme Bueno, membro da equipe da Labirinto Galeria Virtual]

* Esta exposição pode conter material inapropriado para menores de 14 anos.
** O número de expositores não necessariamente corresponde ao número de formandos do semestre. A participação na exposição de formatura é facultativa.

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