Formandos do Teatro Universitário apresentam “Gold” no Circuito Cultural UFMG

Texto: Comunicação da Diretoria de Ação Cultural da UFMG

Na próxima semana, o público terá nova oportunidade de assistir à peça Gold, estreada em março deste ano e produzida pela turma de formandos do Teatro Universitário UFMG (TU). O espetáculo terá exibição na quarta (25), às 12h30, pelo projeto Quarta Doze e Trinta, e na quinta (26), às 17h30, pelo projeto Ao Cair da Tarde, ambos pertencentes ao Circuito Cultural UFMG, da Diretoria de Ação Cultural da Universidade. A entrada é gratuita e aberta ao público no auditório da Reitoria da UFMG (Av. Antônio Carlos, 6.627).

Com elenco formado por quatro atuantes (Ana Luisa Cosse, Fernando Dornas, Bia Freire e Victor Velloso), Gold busca instigar no público reflexões importantes sobre o meio ambiente, a humanidade e o futuro do planeta, principalmente após uma crise de grandes proporções como a pandemia de covid-19.

Marcando a retomada das apresentações presenciais dos espetáculos de formatura do TU, a peça reflete as inquietações dos próprios atores acerca de assuntos como a exploração e a busca desenfreada pelo lucro das sociedades capitalistas. Ao questionar se há um futuro possível para a Terra e seus viventes, a peça confronta a beleza, o silêncio, a vida sem hierarquias e a sacralidade da terra com sua violação e destruição.

Circuito Cultural UFMG apresenta espetáculo Gold, em duas exibições:
25/5 (quarta), às 12h30 | Projeto Quarta Doze e Trinta
26/5 (quinta), às 17h30 | Projeto Ao Cair da Tarde
Local: Auditório da Reitoria da UFMG (Av. Antônio Carlos, 6627 – Pampulha)
ENTRADA FRANCA

Centro Cultural UFMG abre exposição de objeto tridimensional de aluno da Universidade

Texto: Comunicação do Centro Cultural da UFMG

O aluno Victor Borem expõe no Centro Cultural UFMG a partir desta quinta-feira, 19 de maio de 2022, o objeto “Ajuntar para virar semente”, com curadoria do professor Fabrício Fernandino, que poderá ser visto até o dia 26 de junho de 2022. A entrada é gratuita e integra o projeto Escultura no Centro, que destaca os trabalhos tridimensionais desenvolvidos por alunos do curso de Artes Visuais com habilitação em Escultura da Escola de Belas Artes da UFMG. A classificação é livre.

Ajuntar para virar semente

O objeto surgiu da vontade do artista de materializar o afeto. Em uma série de esculturas macias, de diversos tamanhos, Victor tenta explorar a poética intrínseca nas matérias, evocando sentimentos de carinho, conforto, acolhimento e calor. Ele busca em sua história e na história de suas matriarcas objetos que tenham ligação ao afeto e encontra no bordado, na costura, no tecido, na lã e na linha o acalanto que germina como semente.

Borem deu o nome de semente às esculturas com o desejo de que elas germinem e afetem o ambiente de quem as toca e as vê. Começou a idealizar esse trabalho a partir de uma necessidade que via em si e nos outros de se deixar descansar, abaixar as barreiras e se tornar vulnerável, permitir ser tocado e tocar, aguçar os sentidos e entender o seu lugar no mundo como seguro e quente. Ainda que como um artifício ou um “faz de conta”, quis proporcionar essa experiência de alguma forma, para que ao menos por alguns segundos, minutos ou horas, pudéssemos escapar.

O artista

Victor Borem nasceu em Belo Horizonte em 1999, mas residiu toda a sua vida em Nova Lima. Seus avós e grande parte da sua família vivem em Itaguara, Minas Gerais, local onde teve um contato profundo com o universo das costureiras e bordadeiras, em meio a panos de prato, toalhas de mesa, bordados e rendas. O artista cresceu nesse ambiente e se identificou com as artes e antes mesmo de iniciar a faculdade já trabalhava com cerâmica, o que possibilitou participar, em 2019, de uma residência artística em cerâmica no interior do Japão durante um período de dois meses e meio. Lá vivenciou de perto a importância da tradição e da história nos processos de vida e como esses legados e vivências podem se transformar em arte. Atualmente cursa Artes Visuais – habilitação em escultura – na Escola de Belas Artes da UFMG, onde também é monitor de cerâmica. Desenvolve seu trabalho artístico inspirado nesse universo onde cresceu e cresce todos os dias.

Escultura no Centro

O projeto busca valorizar e expor os trabalhos tridimensionais desenvolvidos pelos graduandos e pós-graduandos do curso de Artes Visuais com habilitação em Escultura da Escola de Belas Artes da UFMG.

Ajuntar para virar semente – Victor Borem
Período expositivo: 19/05 a 26/06/2022
Terças a sextas: 9h às 20h
Sábados, domingos e feriados: 9h às 17h
Espaço Expositivo Vão da Escada
Classificação: livre
Entrada gratuita

Edital do Programa de Monitoria da Graduação – Tecnologia Têxtil, Materiais Têxteis e Criação Têxtil

A Chefe do Órgão Acadêmico Responsável do Departamento de Desenho , Camila Rodrigues Moreira Cruz , faz saber que, no período de 10/05/2022 a 23/05/2022 , de 09:00:00 às 16:00:00 horas, o(a) ddes@eba.ufmg.br receberá as inscrições de candidatos para o exame de seleção do Programa para atuar nas disciplinas/atividades com carga horária de 12 horas semanais.

Edital PMG 011/2022 – Tecnologia Têxtil, Materiais Têxteis e Criação Têxtil

Edital do Programa de Monitoria da Graduação – Desenho da Figura Humana

A Chefe do Órgão Acadêmico Responsável do Departamento de Desenho , Camila Rodrigues Moreira Cruz , faz saber que, no período de 09/05/2022 a 17/05/2022 , de 09:00:00 às 16:00:00 horas, o ddes@eba.ufmg.br receberá as inscrições de candidatos para o exame de seleção do Programa para atuar nas disciplinas/atividades com carga horária de 12 horas semanais.

Edital PMG 010/2022 – Desenho da Figura Humana

Festival de Teatro Negro lança chamada pública para fortalecer a difusão de criações artísticas de estudantes negros da UFMG

Texto: Assessoria de Imprensa da UFMG

Até o dia 5 de junho, estarão abertas as inscrições para o segundo Festival de Teatro Negro da UFMG, promovido pelo Teatro Universitário (TU), com o apoio da Diretoria de Ação Cultural (DAC) da Universidade. O festival acontecerá de 24 a 31 de agosto de 2022, de forma presencial. As propostas que atenderem aos critérios da chamada pública podem ser inscritas por meio do formulário. Esse evento faz parte das comemorações dos 70 anos do TU.

A chamada pública visa selecionar trabalhos desenvolvidos nas linguagens do teatro, da dança e da performance que tenham a temática negra como principal elemento e que tenham sido criados por estudantes negros de cursos de nível técnico, superior ou de pós-graduação da UFMG, para apresentação no campus Pampulha e/ou nos demais espaços culturais da Universidade, em Belo Horizonte.

Para se inscrever, os estudantes devem enviar vídeos com a gravação dos trabalhos que podem ter o formato de cenas ou performances curtas, de até 20 minutos, que concorrem a bolsas de R$ 600 ou espetáculos acima de 40 minutos e no máximo 90 minutos de duração, que concorrem a bolsas de R$1.200.

A primeira edição do Festival de Teatro Negro da UFMG aconteceu em 2020, de forma totalmente virtual, por meio das redes sociais, e, além da exibição dos trabalhos desenvolvidos por estudantes, contou também com obras performativas de artistas convidados, publicação de textos resultantes de pesquisas acadêmicas e obras dramáticas, além de um minicurso.

Agora em 2022, as apresentações acontecerão principalmente nos espaços do TU, contando também com cenas desenvolvidas para apresentação na rua e/ou espaço aberto.

A seleção dos trabalhos de estudantes da UFMG a serem apresentados no festival será feita por uma Comissão de Seleção composta por artistas e curadores convidados, que selecionarão 12 propostas artísticas. Os estudantes da UFMG que tiverem suas cenas curtas e espetáculos selecionados receberão bolsas viabilizadas pelo Projeto de Extensão TU Convida e Teatro&Cidade.

A idealização e coordenação do evento é assinada pelos professores do Teatro Universitário da UFMG, Denise Pedron e Rogério Lopes e pelo professor da Faculdade de Letras da UFMG, Marcos Alexandre. “O Festival de Teatro Negro UFMG é um evento que tem um caráter pedagógico importante, pois as artes negras e seus estudos no campo das práticas e teorias teatrais ainda são poucos estudadas e divulgadas nas academias e, dentro da UFMG, não deixa de ser diferente. Ainda existem poucas disciplinas que apresentam em seus conteúdos discussões acerca da arte e do teatro negro. Por outro lado, a cada ano, há mais interesse por parte dos estudantes sobre a temática, uma vez que muitos alunos não se veem representados, como sujeitos negros, nas discussões do teatro tradicional”, argumenta a coordenação do festival.

Outras informações no Instagram do Teatro Universitário da UFMG ou pelo e-mail: fetne.tu@gmail.com.

Festival de Teatro Negro On-Line UFMG
Inscrições: até 5 de junho
Data de realização: 24 a 31 de agosto
Link do formulário: encr.pw/z4Kal
Link da chamada pública: encr.pw/WabEC

Arquiteto João Diniz expõe na Grande Galeria do Centro Cultural UFMG

O Centro Cultural UFMG convida para a abertura da exposição “Poematéria: Arquitetura da Palavra”, do arquiteto João Diniz, na próxima quinta-feira, dia 19 de maio de 2022, às 19 horas. O artista explora as possibilidades da união entre as artes visuais e o texto poético, buscando superar e propor novas possibilidades para o suporte preferencial da escrita: a folha de papel. A mostra poderá ser vista até o dia 26 de junho de 2022. A entrada é gratuita.

Exemplos de séries, ou blocos temáticos, definem a interdisciplinaridade que permeia o trabalho de João Diniz, que traz o texto escrito materializado em objetos experienciáveis como um eixo conceitual permanente.

Obras como os ‘prismas líricos’ em aço unem escultura, texto e design; os desenhos e pinturas da série ‘manusgritos’ exploram as possibilidades da caligrafia; as pinturas com spray da série ‘typos extraños’ trabalham tipologias gráficas existentes e inventadas; a série ‘decifráveis’ propõe uma espécie de hieróglifo contemporâneo e convida a uma leitura quase arqueológica, instigando o público à sua decifração.

Instalações
As duas grandes salas da galeria são dedicadas aos desdobramentos de trabalhos anteriores, realizados em parceria com a também arquiteta Bel Diniz. A sala ‘tipogramas’ reúne composições textuais e pinturas a partir das grandes letras em aço presentes na instalação ‘cuboesia e jardim de aço’, montada nos jardins do Palácio das Mangabeiras, em Belo Horizonte, no ano de 2019. A outra sala reinterpreta a instalação ‘poéticas leituras’, ação de arte urbana apresentada na Festa da Luz de BH, em 2021.

No centro da galeria, em uma espécie de local de convívio, peças de design e mobiliário concebidas pelo arquiteto incorporam a presença das tipologias e do texto, possibilitando uma área de permanência para visualização de vídeos de sua autoria, incluindo manipulação de poema-objetos, performances e ‘cineclipes’. Junto a esse setor da mostra, mesas expositoras exibem ‘poemobjetos’, ‘livros de artistas’, edições únicas, cds, dvds, ‘poemas tácteis’ e edições, todos assinados por João Diniz.

Curadoria
A exposição conta com uma curadoria compartilhada entre a historiadora, crítica de arte (ABCA), escritora e professora (UFMG) Marília Andrés e a artista transdisciplinar e professora da Escola Guignard e do PPGArtes (UEMG) Celina Lage. A expografia e montagem são assinadas por Bel Diniz. Durante o período da mostra serão agendadas atividades coletivas com a participação de convidados e do público presente.

O artista
João Diniz é arquiteto e possui escritório em Belo Horizonte, onde realiza projetos e obras nas áreas de urbanismo, arquitetura, design, cenografia e artes visuais. É professor na Universidade Fumec e palestrante em instituições acadêmicas e profissionais do Brasil e exterior. É mestre em Construção Metálica pela Ufop e doutorando pela UFMG. Recentemente apresentou as exposições individuais ‘Trama e Typos Extraños’, na Asa de Papel Café & Arte (2019 e 2020); ‘Híbrido’, na Dominox Arte e Design (2019); ‘Teia’, no Espaço Corda, no Mercado Novo de BH (2019) e ‘Vetor Vivo’ no MM Guerdau – Museu das Minas e do Metal, no Circuito Cultural Praça da Liberdade, em BH. Publicou os livros ‘João Diniz Arquiteturas’ (2002), ‘Depoimento: Circuito Atelier’ (2007), ‘Steel Life: arquiteturas em aço’ (2010), ‘Ábaco’ (2011), ‘Aforismos Experimentais’ (2014), ‘O Livro das Linhas’ (2020) e ‘Futurografia’ (2021); além de outras edições experimentais ou livros únicos sob demanda. Paralelamente, participa de edições físicas e digitais de CDs e DVDs, exposições e apresentações individuais e coletivas voltadas à arquitetura, fotografia, poesia, vídeo, artes visuais, design e música. Alguns desses trabalhos são executados com o projeto colaborativo Pterodata, de sua criação, dedicado às ações interdisciplinares em diferentes áreas da cultura.

Exposição “Poematéria: Arquitetura da Palavra” – João Diniz
Abertura: 19 de maio de 2022 | às 19 horas
Visitação: até o dia 26/06/2022
Terças a sextas: 9h às 20h
Sábados, domingos e feriados: 9h às 17h
Grande Galeria
Classificação: livre
Entrada gratuita

Centro Cultural UFMG lança “Corredor Cultural 174”, nova série de podcast

Texto: Comunicação do Centro Cultural UFMG

No primeiro episódio do Corredor Cultural 174 Podcast tivemos um bate-papo com a pintora muralista e diretora de arte no cinema Priscila Amoni, importante nome do muralismo de Minas Gerais. Ela é co-criadora e co-curadora do Circuito Urbano de Arte – CURA, um dos maiores festivais de arte pública do Brasil, que reúne os murais mais altos pintados por mulheres na América Latina e a maior obra de arte pública realizada por uma artista indígena.

Priscila começou a pintar telas em 2008, mas foi em 2013 que seu trabalho ganhou novos sentidos e grandes formatos. Na época, recém-chegada de Lisboa, local onde realizou seu mestrado, presenciou o Brasil em fervor com as manifestações, momento em que acompanhou os movimentos sociais e olhou para as ruas de outra forma.

Para Amoni, a ideia de pintar na rua, de forma gratuita, era o contrário do que acontecia dentro das galerias, dos espaços do “cubo branco”, instituídos como ambientes da arte, extremamente elitizados. Foi a partir daí que decidiu virar muralista e estudar a pintura nas paredes dos espaços públicos, mudando completamente sua trajetória. Hoje em dia as produções da artista ocupam grandes empenas desses espaços, algumas delas em fachadas de prédios que colorem cidades do Brasil e da França.

Priscila é uma das idealizadoras do CURA e autora da pintura “Dralamaale”, de 850 m², que ocupa a lateral do Hotel Rio Jordão, na Rua Rio de Janeiro, 147, Centro de Belo Horizonte. Realizada em agosto de 2017, sua primeira empena a integrar o festival resiste até os dias atuais e representa uma mulher afro-brasileira carregando duas plantas de proteção nas mãos, cada uma com seu significado, abençoando a cidade.

As obras de Amoni expressam essa sua relação com o poder feminino e as plantas, o estudo de sua força e seu sentido de cura, sempre privilegiando a perspectiva do conhecimento popular das minorias, principalmente as de cultura oral, como o xamanismo indígena, a cultura popular e a cultura negra.

Sua pesquisa artística está estampada em sua arte, então nada mais natural que apareça de diversas formas como protagonista, representando os costumes femininos de magia e as conhecedoras dos segredos da natureza, como as benzedeiras, as curandeiras, as rezadeiras, as raizeiras e as mulheres de terreiro.

Muito comum nas áreas centrais das grandes cidades, as empenas dos prédios trazem bastante visibilidade para os trabalhos dos artistas e o CURA veio para unir essas produções e inserir Belo Horizonte no mapa mundial de arte urbana. Tomando proporções cada vez maiores e ganhando camadas jamais imaginadas, o projeto se destaca entre os principais festivais de arte pública do Brasil, talvez o de maior relevância artística, pois aponta novos caminhos, traz artistas fora do mainstream, como os artistas indígenas, e outras formas de pensar a arte nesse contexto.

O CURA foi o primeiro a criar um Mirante de Arte Urbana no mundo e, segundo a artista, não existe registro de outro festival em que o público possa contemplar de um ponto único todas as obras. Atualmente BH possui dois mirantes, um na Rua Sapucaí, no bairro Floresta e outro na Rua Diamantina, no bairro Lagoinha.

A edição de 2022 está acontecendo na Praça Raul Soares, espaço de imersão dos artistas no momento, onde uma pintura-ritual deu vida a uma Anaconda no chão que contorna a praça, sendo a maior obra shipibo (povos da Amazônia peruana) do mundo, com seus quase três mil m².

Ouça o podcast na íntegra e saiba um pouco mais sobre as pinturas muralistas e o trabalho desenvolvido pela artista: https://spoti.fi/39aOA9M

Conheça o trabalho de Priscila Amoni em: https://www.amoni.com.br/ e Instagram

Corredor Cultural 174 Podcast é um projeto que pretende disponibilizar mensalmente no Spotify conversas com artistas, músicos, escritores, cineastas, agentes culturais e demais pessoas que pensam, respiram e produzem cultura. “Corredor”, pelo fato do Centro Cultural UFMG estar situado no corredor cultural Praça da Estação e também no sentido de espaço de passagem, onde transitam ideias, movimentos e expressões artísticas em Belo Horizonte. “Cultural”, pois a temática será sempre cultura e “174” é o número de localização da instituição na Avenida Santos Dumont.

Com curadoria de Fábio Belo, mostra de cinema traz indicações de filmes sobre saúde mental

Texto: Comunicação do Centro Cultural UFMG

O Centro Cultural UFMG realiza a terceira edição do CineCentro Convida, projeto voltado para a realização de mostras idealizadas por curadores convidados. O objetivo é dar acesso a uma seleção de filmes que vão além do óbvio, permitindo novos olhares e proporcionando ao público uma programação mais diversa e plural.

A curadoria de maio foi idealizada por Fábio Roberto Rodrigues Belo, professor do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais, que escolheu seis filmes representativos que abordam a saúde mental, disponíveis em plataformas de streaming no Brasil. O objetivo da mostra é múltiplo, como apresentar alguns aspectos da saúde mental, retratar a história dos manicômios no Brasil e demonstrar algumas representações do sofrimento psíquico – aqueles que sofrem e também aqueles que tratam – no cinema.

A programação tem início no dia 12 de maio, mês em que se reforça a necessidade de conscientização e reflexão sobre os problemas de saúde mental, explorando possibilidades de acolhimento e entendimento sobre o assunto. A atividade integra a “10ª Semana de Saúde Mental e Inclusão Social da UFMG”, que ocorre entre 16 e 20 de maio de 2022 e traz como temática “O cuidado em saúde mental como direito à cidadania”.

O documentário “O Golpista do Tinder” dá início a mostra e apresenta um exemplo notável do que a psicanálise denomina de perversão. Ao longo da história da psiquiatria e da psicologia nomes como sociopatia e psicopatia vão se modificando, mas o fenômeno diz respeito, em geral, ao sujeito que age sem culpa aparente para maltratar, usar e enganar o outro. A película destaca a luta das vítimas do golpista, que tornaram possível um “retrato fílmico” do agressor e seu modo de ação.

“Toc Toc” é uma ótima comédia argentina que descreve vários casos de neurose obsessiva. Essa condição psiquiátrica tem inspirado a produção de filmes sob o viés da comicidade, como o longa-metragem americano “Melhor Impossível”, de 1997. Esse tipo de representação no cinema, no entanto, desconsidera o sofrimento desses pacientes, que pode ser agudo e profundamente trágico. “Toc Toc” consegue apresentar uma abordagem mais profunda do Transtorno obsessivo-compulsivo, pois leva o espectador a refletir como o tratamento é possível e qual o papel do humor e da clínica grupal para se pensar essa forma de ser no mundo.

“Por que você não chora?” é uma produção brasileira muito importante nessa seleção, pois além de apresentar de forma muito didática o que é o sofrimento borderline, reafirma a importância do Acompanhamento Terapêutico na formação em psicologia. Vale destacar a atuação da estagiária em psicologia, que tem que lidar com o seu próprio sofrimento psíquico. Na história, fica evidente o que é exigido de todos os profissionais que tratam da saúde psíquica do outro, como se cuidar e fazer psicoterapia, para que possam tratar os demais. As consequências da negligência dessas regras são trágicas e o filme comprova isso.

“Estamira” é um documentário premiado, considerado uma obra-prima do cinema brasileiro. O relato muito próximo de uma paciente psicótica que vive em um lixão mostra como a loucura no Brasil deve, necessariamente, ser pensada de forma interseccional, pois raça, classe e gênero participam fortemente na produção do sofrimento mental. Apesar do sofrimento extremo, Estamira traz um ensinamento sobre resistência, liberdade e loucura.

Tal como o livro homônimo, “Holocausto Brasileiro” trata de aspectos históricos do poder psiquiátrico no Brasil. É impossível compreender a saúde mental sem uma reflexão crítica, aberta e democrática sobre a história da loucura, os saberes e as relações de autoridade que criam e controlam a loucura. O filme é uma aula do terror vivido por milhares de pacientes e um alerta sobre o caráter político de qualquer psicopatologia.

Finalizamos a mostra com “Amour”, obra que expõe o sofrimento psíquico trazido pela terceira idade e que certamente acometerá muitos nos próximos anos. Os mais velhos são vítimas da falência do corpo e muito sofrimento decorre daí. Para além das doenças degenerativas, como Parkinson ou Alzheimer, a decrepitude somática produz dor psíquica no próprio sujeito e também naqueles que o acompanham.

Fábio Roberto Rodrigues Belo é professor associado do Departamento de Psicologia, Diretor do Serviço de Psicologia Aplicada da UFMG e autor de diversos livros e artigos sobre psicanálise. Coordena o Projeto de Extensão “Conversas virtuais sobre psicanálise”, por meio do qual divulga as pesquisas realizadas na UFMG no seu canal do YouTube, Spotify e Site.

Onde assistir:

12.05 – O Golpista do Tinder – 2022 | 12 anos | 114’ | Documentário, Policial | Direção: Felicity Morris | Disponível: Netflix.

Simon Leviev finge ser um bilionário do ramo de diamantes para as mulheres que conhece no Tinder. Depois de conquistar a confiança das vítimas, aplica golpes para extorquir dinheiro.

17.05 – Toc Toc – 2017 | 12 anos | 90’ | Comédia | Direção: Vicente Villanueva | Disponível: Netflix.

Seis desconhecidos com Transtorno obsessivo-compulsivo aguardam uma consulta com um renomado psiquiatra. Com o atraso do médico, os pacientes começam uma divertidíssima sessão de terapia em grupo.

19.05 – Por que você não chora? – 2020 | 16 anos | 98’ | Drama | Direção: Cibele Amaral | Disponível: Amazon Prime Vídeo.

Jéssica (Carolina Monte Rosa) é uma menina de origem humilde que veio do interior para estudar na capital. Ela se depara com um novo mundo durante o estágio na faculdade de psicologia, quando passa a atender Bárbara (Bárbara Paz), diagnosticada com Transtorno de Personalidade Borderline.

24.05 – Estamira – 2004 | 10 anos | 121’ | Documentário | Direção: Marcos Prado | Disponível: YouTube e Globoplay.

O premiado documentário brasileiro conta a história de Estamira, mulher de 63 anos que sofre de distúrbios mentais e trabalha há mais de 20 anos no Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro, um dos maiores aterros sanitários do mundo.

26.05 – Holocausto Brasileiro – 2016 | 16 anos | 90’ | Documentário | Direção: Daniela Arbex e Armando Mendz | Disponível: YouTube.

Relatos de sobreviventes, ex-funcionários, pesquisadores e familiares contam as condições sub-humanas vividas no Hospital Colônia de Barbacena e escancaram o destino dos pacientes e a verdade escondida por mais de cinco décadas de descaso.

31.05 – Amour – 2012 | 14 anos | 127’ | Drama | Direção: Michael Haneke| Disponível: Apple TV, Globoplay e YouTube.

Georges e Anne formam um casal octogenário. Eles são professores de música aposentados e apaixonados por arte. A filha, também musicista, vive na Grã-Bretanha com a família. Um dia, Anne sofre um derrame e o amor que une o casal é posto à prova.

CineCentro Convida Fábio Roberto Rodrigues Belo | Mostra de cinema sobre saúde mental
As indicações dos filmes são feitas nas terças e quintas-feiras nas Redes Sociais e Site do Centro Cultural UFMG