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A técnica no contexto social de seu surgimento
O trançado
A cerâmica saramenha
Papel Artesanal
A origem da cerâmica
Entrevista com Maximo Soalheiro
Minas do Ouro
Projeto de Pesquisa
Arte e Artesanato - Projeto Completo
Agradecimento aos Artistas

Grupo:

Marina Paulino Bylaardt
Marcela da Costa Ferreira
Xavier Beve
Regeane Lopes de Carvalho
Ana Virgínia Cândio
Audrey Melgaço Teixeira

Projeto de Pesquisa

Artes Plásticas II
UFMG - Universidade Federal De Minas Gerais

Professor: Marcos Hill
Tema geral: Arte e Artesanato
Tema específico: Técnicas em Arte Brasileira e Mineira - Escultura em Pedra e Madeira - Douramento e Carnação.
Aluna: Ana Virgínia Cândido.

Objetivos

(Re) conhecer e ter contacto direto com arte e artesanato, artistas e artesãos contemporâneos.

· Técnicas aplicadas e seus materiais.

· Aproximação do aluno com as principais fontes históricas, documentos, textos críticos, esculturas, etc.

· Percepção dos problemas sociais vividos no passado e no presente.

· Desenvolvimento de sentido crítico.

· Reflexão da ética e os efeitos da globalização.

· Contribuição do artista na formação da cidadania e o seu papel como educador.

· Vivenciar Arte-Artesanato.


Justificativa

Buscar enriquecer uma prática pedagógica de forma transformadora. Somar à importância cientifica dessa pesquisa e trabalho de campo a históricas cidades - Monumento Mundial da Humanidade e da Primeira Cidade e Capital de Minas Gerais - Ouro Preto e Mariana. Por serem das mais significativas cidades Coloniais Brasileiras, pátria de Aleijadinho, Manuel da Costa Athayde, morada dos sonhos dos Inconfidentes.
Conjugando assim um trabalho de campo aos prazeres de descobrir e reencontrar Ouro Preto e Mariana, na beleza da paisagem, na emoção das obras de arte e no desenho fascinante da arquitetura.
A alegria de percorrer as ruas de Ouro Preto e Mariana, entrar em suas igrejas e nos vários museus, o contacto direto com a pedra sabão, as obras de arte e o artesanato farão desse mote um grande aprendizado, com uma prática pedagógica prazerosa.

Por que Ouro Preto e Mariana?

Porque a economia mineradora também gerou uma certa articulação entre as áreas distantes da colônia. Gado e alimentos foram transportados da Bahia para Minas e um comércio se estabeleceu em sentido inverso. O Brasil se interiorizou nas Gerais - Arte, Artesanato, Música, Ouro, Muito Ouro...
Tendo em vista a importância Cultural e Econômica gerada pela descoberta de Vil Metal (Não se pode perder de vista que a cidade de Belo Horizonte "antigo Curral Del Rei" e seu entorno também está diretamente ligada à exploração aurífera, pois serviu de pouso de tropas e tropeiros, bandeiras e bandeirantes, etc).
A presente pesquisa pretende valorizar as Minas, representada nas Gerais artes. Como também estabelecer uma relação entre o aprendizado dentro da sala de aula e visualização "in loco", haja vista nossa privilegiada posição enquanto profissionais e cidadãos mineiros.
Tendo como pano de fundo a arte no século XVII e XVIII nos principais núcleos econômicos da região sudeste, e o Barroco por ter sido a maior das catequeses do mundo moderno.

Metodologia

1. Pesquisa em livros, documentos, jornais, revistas, etc.

2. Elaboração de apostila através de interpretação e compilação de textos.

3. Trabalho de campo: Visita aos centros de arte e artesanato, ateliês e galerias de arte. Nas cidades de Betim, Ouro Preto, Mariana e Belo Horizonte. Entrevistas a artistas plásticos, educadores e outros.

4. Coletânea de fotografias, cartões postais, recorte de jornais e revistas (com críticas de arte) para uma (re) leitura da arte contemporânea.

Se aqui estou devo tudo isso as pessoas que estiveram envolvidas com o meu crescimento ao longo desses anos.
Estes Mestres e artistas que contribuíram para minha formação "Não só minha, bem como de tantas outras pessoas".
Com todas as suas técnicas, contribuíram para nosso crescimento como ser humano, como profissionais e como cidadãos.
Isso com a simples Arte de Educar.

Aos Mestres - Nossos Agradecimentos.

Em primeiro lugar ao Marcos Hill, que nos proporcionou a oportunidade de estarmos desenvolvendo esse trabalho.

(...) Diego não conhecia o mar. O pai Santiago Kovodloff levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o sul. Ele, o mar, estava do lado das dunas altas, esperando. Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos.
E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: Me ajude a olhar.
"Eduardo Galeano". Denomina de "A função da Arte", em seu "O livro dos Abraços-1989".

Isto é possível?
Claro que é!

Por você que, tomou a iniciativa de levar-nos à "descobrir o mar" a superarmos juntos as "dunas altas", as "alturas de areia" porque, ao fazer isto você - Pai/Educador está re-descobrindo o mar através do olhar dos Filhos/Alunos. E este descobrir/redescobrir o mar juntos, significa reinventá-lo, renascê-lo.
E, acreditamos que todo dia é dia de passar este mundo a limpo, para que todos nós- Pais/Filhos/Professores/Alunos/Cidadãos, sejamos juntos educadores e educandos do mistério e da magia que é o viver.
Por outro lado, o "Me ajuda a olhar" tem significado, a cada dia que passa, o nosso compromisso de não deixar que nossa geração de herdeiros - Filhos/Alunos - Vaguem perdidos, abandonados e vítimas de um mundo cada vez menos seu.
(...) Somos enfim, o que fazemos para transformar o que somos. A identidade não é uma peça de museu, quietinha na vitrine, mas, a sempre-assombrosa síntese das contradições nossas de cada dia. Nessa fé, fugitiva, eu creio. Para mim é a única fé digna de confiança porque é parecida com o bicho humano, fodido, mas sagrado, e à louca aventura de viver no mundo (O livro dos Abraços - em sua "Celebração das Contradições" Eduardo Galeano).

E não podemos esquecer desde os primeiros professores "Irmã Rita e Irmã Joana D'Arc, que foram àquelas que me alfabetizaram".
E com carinho àquelas que nos tornaram profissionais e cidadãos.

Nossos pais, irmãos, amigos "que são tantos".

Em particular

Sebastião Rocha "Tião com a sua cultura: - Nos seus Saberes e Fazeres, estou sempre me apropriando de suas sábias palavras, e sempre lembrando: menina se você pode produzir 100Wats, por que se contentar só com 40Wats?"

Deolinda Santos "Déo - Como aprendemos com seus "devorteios" e indagações da verdadeira identidade brasileira."

Jussara Ferreira "Como esquecer a pintura rupestre, a geografia, a música e, principalmente a ladainha de Cirino".

Vera Fonseca "Nossa eterna Primavera, com o Saber, Saber Fazer, Querer Fazer".

Telmo Marques "Com suas peanhas e os anjos barrocos das igrejas de Sabará e Ouro Preto".

Maria Lúcia "Lucinha, embora moça é nossa bisa, a menina das histórias de Minas e suas artes".

(...) Como disse uma aborígine Australiana ao um Tecnici, de outro país, supostamente bem - sucedido: "Se você veio para me ajudar, pode tomar o seu caminho de volta. Mas se crê na minha luta como parte de sua sobrevivência, então talvez possamos trabalhar juntos".

Em especial

Aqueles que já partiram.

Terésio Maldonado "Tereco, maravilhoso artista Plástico, mestre dos mestres "Não fui nenhuma de suas Santas: Conceição do Antonio Dias, Carmo e nem Pilar. Mas seria uma de suas bruxinhas ou demoniozinhos "no bom sentido você me dizia". Não deu tempo, você partiu tão cedo e foi logo depois do dia de Nossa Senhora da Conceição "sua maior devoção". E agora, o demo existe ou não existe?"
~ × ~

D. Adalgisa Ziller "Tia Lila, foi quem iniciou à nossa trajetória pelas ruas dessas cidades mineiras".

Conceição Santos "Mamãe barroca, não houve esse que não tenha aprendido tanto com você. E mais: Ana Virgínia deixe de ser brigona, relaxe".

"Se o grão de trigo cair na terra e não morrer fica infecundo, mas, se morrer, produz muitos frutos". (Jo. 12-24).


Apoio técnico:
Kátia de Sá Lage
Elayne Oliveira Silva
Gabriel Felipe Sally Rezende
Maria Lúcia Dornas.



Artesanato


3

Criação


2

Tradição


1

Manufaturado


1. Manufaturado "Massificado" - São produzidos em série. Em torno de 5.000 peças, com preços baixos e produção alta. Sujeitos à moda, que são, por exemplo, anjos com cara de jogador de futebol, artistas de novela, entre outros.

2. Tradição - Que vem de uma cultura do passado. São as produções de colchas de Resende Costa. Os estanhos de São João Del Rei. De produção repetitiva média. De bom gosto e ótimo design.

3. Criação - Artesão é criador, o faz sem repetição. Possui sensibilidade, bom gosto. Mesmo sem ter passado por uma escala de arte, produz o belo.

Conclusão

O Mundo Contemporâneo

Socialmente injusto e com muitas distorções. Políticas equivocadas, visões de mundo prepotente, desumanizadas e perversas.
Com o predomínio dos valores mecânicos, alta tecnologia, grande competitividade, falta de emprego, corrida do ouro "ganância, mercado financeiro, globalização" leva-nos a ter uma vida sobre pressão e stress.
Se faz necessário nesse momento uma reflexão.
Qual é a nossa postura mediante as distorções sociais? Com o quê e como estamos contribuindo para resgatar e humanizar o mundo? Como estamos registrando esses condicionamentos sociais, políticos, econômicos...? Qual é a nossa contribuição para a formação da cidadania?
Respostas não adiantam, são necessárias ações!
Para uma melhor reflexão vamos analisar alguns pontos.

A arte e sua relação com o social.

A certeza de que é possível construir um Brasil melhor. Que a nossa inserção como artistas nesse processo de construção é viável. Desenvolvendo projetos e ações de responsabilidade social para a redução das disparidades e desigualdades.
(...) No Brasil onde 14% da população está na indigência e mais de 32% são considerados pobres, a mudança tem que vir de todos os lados - governos, empresas, cidadãos.
Não é fazer aquilo que não está sendo feito, e sim completar aquilo que, o outro está fazendo.
E o interesse em doar um pouco de nosso tempo e talento para a causa social. Contribuindo para com a educação e redução da miséria e com a geração de renda e emprego. Para que o outro se sinta um cidadão de direito. Resgatando assim desempregados e outros excluídos. De forma simples estaremos devolvendo-lhes o que é de direito. Somente utilizando o nosso saber e as nossas técnicas apreendidas na universidade.
(...) A história mostra que as tecnologias não são neutras. Daí a importância de também serem pensadas da perspectiva da inclusão social. É o que afirma o professor Guilherme Ary Plonski - professor da USP que ministra a disciplina de Engenharia e Sociedade.
Temos que pensar que essa responsabilidade está cada vez mais ganhando espaço nas empresas, universidades, dentre outras. Visando despertar a consciência social e a integração dos cidadãos na luta pela conquista do conjunto de direitos garantidos pela constituição. Que o grande dilema no mundo hoje é harmonizar a competitividade e justiça frente à globalização e a situação em que se encontram os países colonizados. Onde os preços dos produtos dos países de terceiro mundo são discutidos nas bolsas de Nova Iorque, Londres, e etc. E a população dos países pobres paga para que esses produtos "que eles nem plantam, colhem e fabricam", sejam consumidos pelos países ricos.
As inovações tecnológicas chegaram a tal ponto que não há reversão possível, em que pese seus efeitos na redução da mão-de-obra, principalmente a indústria. Enquanto se redimensiona o perfil do mercado de trabalho, buscando a expansão cada vez maior no setor de serviços, milhões de famílias podem ficar sem qualquer renda - O que é assustador. Cresce diante disso a urgência de políticas solidárias.
(...) Ao contrário da modernização, que deseja o progresso a qualquer custo, a modernidade concilia o avanço econômico e o interesse social.
Devemos buscar a modernidade e não sua versão pervertida, que é a modernização.
Nas nossas indagações devemos refletir também sobre a educação formal e não-formal. "Aquilo que se adquire por meios amplos e difusos: na escola, no convívio social, na família, no trabalho e outros".
Além disso, procurar conhecermos projetos a exemplo: o da USP -AVIZINHAR, que atende comunidades carentes, que vivem nas imediações do campus.
-Amigos da Criança - Criado em 1986 pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte. A fundação pró-criança desenvolve diversos projetos voltados para a educação, saúde, cultura, formação profissionalizante e assistência social, que atentem a mais de 10mil crianças e adolescente.
-Projeto Fred - Já citado em sala de aula.
-Projeto Salão do Encontro - Já citado em sala de aula.
-Projeto Sementinha - Do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento. - Que nos Saberes e Fazeres, resgatam a cidadania.
Para melhor entender os Saberes e Fazeres e como deve ser vista a cultura, é só analisarmos as colocações do antropólogo e educador popular Sebastião Rocha.
(...) A cultura não pode ser vista como "sobremesa" mas como "arroz com feijão". - Artigo básico e fundamental para o nosso desenvolvimento integral, fonte de referência do nosso processo histórico e gerador de oportunidades e alternativas para a construção de nosso presente, são as metas de nossa "utopia" compreendida não como "sonho impossível e quixotesco" mas como "o não feito ainda, o não realizado, o não tópico".
"Ser é ousar ser", dizia André Gide. Acreditamos que, se esta ousadia for compartilhada, democrática, solidária e coletivamente, seremos, de fato um país digno de sua gente e da riqueza de sua cultura.
Portanto que a "Arte" seja "sementinha" para (re) organizar o mundo.
"Onde a tinta e a madeira, a história e o sonho, a palavra e a terra e o jogo, o canto e o trabalho sejam pretextos para exercitar-nos no aprendizado diário de crescer como ser humano, não perfeitos, mas completos".
Somente poderemos mudar o nosso pensar, se sermos mais críticos e mais éticos nos balizando ainda mais nas palavras de Sebastião Rocha.
"É inventando e criando "utopias". Descobrindo passados inusitados para antigos caminhos. Construindo mil Saberes e Fazeres. Onde todos cidadãos misturem suas "Visões de mundo" no mesmo aprender e ensinar. Ensinando vôos nunca experimentados e mergulhando fundo em nossa cultura como um permanente desafio, uma usina de educação e cidadania em permanente ebulição".
"Ler a nossa realidade, escrever a nossa história", eis o "norte", a diretriz que elegemos como "bússola" conceitual de nossa travessia em direção a formação de nossa identidade.
O que mais me impressiona no Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento, são propostas educativas inovadoras e também suas publicações que nos dizem "que são para serem lidas, questionadas, criticadas, reproduzidas, praticadas. A única coisa que não desejamos é que as mesmas não lhes seja indiferente".

"O Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento, funciona no endereço:
R. Paraisópolis, n° 80 - telefone: 3463-63-67."

Texto: Ana Virgínia Cândido

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