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Lino Junkel
Iara Ribeiro
Raquel Rascoe

A arte dos povos primitivos

Há quarenta mil anos.

Datam dessa época, os primeiros vestígios do homem na terra. Os nossos antepassados, os famosos homens das cavernas, já produziam arte? Já refletiam sobre o fazer artístico? Até que ponto tinham consciência do poder das suas imagens? Qual era o lugar da arte na vida do homem pré-histórico?

É muito comum encontrarmos como registros desses homens, as imagens que eles deixaram no interior das cavernas que lhes serviam de abrigo. Eles eram nômades, portanto, dependiam do fluxo da natureza para sobreviverem.

Durante as quatro eras glaciais que marcaram o período paleolítico, o homem era forçado a buscar na caça, o seu alimento, já que não haviam plantas. As diferentes flutuações climáticas que ocorreram durante esse período, levaram o homem a caçar diferentes animais

No período inicial da sociedade humana, o homem competia com animais ferozes como o urso e o leão, pelas cavernas. Deduz-se isso a partir da informação documentada nas cavernas dos Alpes. Ursos representados através de pinturas no teto que sugerem rituais de culto ao urso. Nessas cavernas dos Alpes, também foram encontrados ossos de ursos ritualmente dispostos. Formas em círculos e uma simetria que sugere algum processo ritualístico. Também era freqüente a caça e o culto da rena nesse período. O arouche foi outro animal pintado com muita freqüência. Ele era parecido com o búfalo selvagem e ao que tudo indica, muito feroz e violento. Segundo as pinturas encontradas dessas feras, sua caça era um evento sangrento. A importância dos arouches nas comunidades primitivas foi tão forte, que ele chegou a ser posto como divindade, já nas comunas neolíticas por uma área que vinha da Europa ocidental até a Índia oriental. Nas primitivas clãs do Egito e no Mediterrâneo ocidental. Esses povos acreditaram por milênios, que o touro era o Deus da Fertilidade e do poder dos reis. Os primeiros Deuses totêmicos da "proto-história" do ocidente eram originados no culto do touro e do javali nas tribos Neolíticas.

No chamado período Monsteriano, a caça mais freqüente eram os mamutes. Nas regiões árticas da Ásia, foram encontrados ossos de mamutes com relevos esculpidos. No período Solutreano, a caça do cavalo era predominante, e está registrada em várias cavernas da França. No último período, a rena novamente voltou a ser uma caça muito comum.

Embora existam registros de plantas e outros objetos da arte paleolítica, as figuras predominantes são os animais selvagens. Eles representavam um perigo constante, e o homem paleolítico não tinha condições tecnológicas de produzir outro alimento, senão a caça. Isso gerava uma ansiedade que o levava a buscar tecnologias que o ajudassem a obter sucesso na caça. Essa busca pode ter tido um papel muito importante no surgimento dos rituais e crenças em deuses animais.

O caráter místico da arte primitiva reside na forma como os animais eram representados, além dos locais onde são encontradas as pinturas e dos vestígios de atividades humanas nesses locais. O caráter utilitário da arte das cavernas consistia na crença de que através dos rituais, era possível um "encantamento" das feras que as tornassem mais passíveis de serem caçadas.

A reprodução humana e animal também era um tema muito frequênte na arte primitiva. Existem historiadores que acreditam que a Magia da fertilidade predominou sobre a Magia da caça.

A magia da fertilidade é representada nas paredes das cavernas por formas exageradas de mulheres, os seios nus, sem pernas, braços e rostos. O homem era representado por um boneco simplificado, e o único detalhe era o pênis, muito grande e ereto. A reprodução animal era mais representada que a humana.

É espantosa a qualidade técnica de algumas pinturas encontradas nos fundos das cavernas. A originalidade é característica muito comum nas grutas Francesas. O artista que executou grandes animais nas grutas de Lascoux, se apropriou de relevos existentes na superfície usada como suporte, para criar ilusões de músculos em um touro. Existem detalhes nessas imagens que o homem do paleolítico representava com um exímio conhecimento, comparável a grandes desenhistas. A superposição de imagens é muito comum. Acredita-se que certos lugares eram considerados especiais e por isso, por várias vezes, eram usados como cenário para magias de caça e fertilidade, além de suportes para a arte, seja ela produto ou parte desse rito. Não há outra explicação para essa superposição, já que o interesse estético não fazia o menor sentido e não havia nenhuma ordem lógica para a colocação dessas figuras. Quanto mais difícil o acesso a uma determinada caverna e quanto mais acidentada ela era, mais carregada de imagens eram suas paredes. Essa é outra característica que nos leva a acreditar na existência de lugares sagrados para os homens primitivos e também descarta a possibilidade dessas imagens serem simplesmente decorativas.

Outras evidências de rituais são encontradas nas cavernas africanas, crânios trabalhados com certas aberturas freqüentemente repetidas são considerados vestígios de canibalismo ou de uma crença no espírito individual. O homem do período paleolítico já possuía ritos funerários ligados à crença de uma vida futura. Pois eles sepultavam seus mortos sem a preocupação de protegerem o seu corpo. Eram usados também, vários pigmentos nos ossos do homens.

Devido a esse caráter ritualístico da arte rupestre, ela deve ser analisada juntamente com as características sociais que a envolvem. O artista, as crenças, os hábitos e as necessidades suas e de seus contemporâneos.

Os ritos, acontecimentos sociais onde grupos de homens formalizam relações entre si e com outros grupos e forças superiores, têm, nas diferentes culturas em que ele se manifesta, um papel socializador muito importante. Especificamente na pré-história, ele foi responsável pelo desenvolvimento da cultura. As primeiras noções de hierarquia derivam dessas cerimônias - Quando um homem executava melhor determinada tarefa, ele se tornava responsável por ela num grupo, favorecendo o intercâmbio complementar à integração da vida social. A proibição do incesto, para alguns arqueólogos, é um dos fundamentos da sociedade humana - Um homem não se casa com uma moça de sua família porque pretende que ela se case com um homem de outra família. Assim aumenta as possibilidades de sobrevivência dos seus.

O pragmatismo da arte pré histórica é sua primeira característica. A relação existente entre a técnica mágica e o objetivo prático é muito forte. As pinturas representavam a coisa representada e eram simultâneamente, o desejo e a sua realização. O artista, embora muito interessado na eficácia de sua magia, deve ter considerado a importância estética das imagens produzidas, mesmo como um simples meio a serviço de um fim prático. Essa situação é muito claramente retratada nas relações existentes entre o gesto e a magia dos povos primitivos.

A relação da pintura Paleolítica com a magia ajuda a explicar o naturalismo dessa arte. Se a pintura não fosse de caráter genuíno, fiel, a eficácia da magia podia estar comprometida.

A magia faz parte do conjunto total de crenças, podendo vir a representar, portanto, uma fase ou segmento da religião, religião não como crítica ou crença particular, mas como fenômeno universal da espécie humana. A magia implica ação direta e pode assumir uma grande variedade de formas. Seus elementos essenciais podem ser um conjunto de crenças que a faz válida através da arte. No caso da magia rupestre, pinturas ou desenhos simbólicos, ritos, objetos mágicos, palavras e homens considerados especiais, os feiticeiros, chamãs, pajés e bruchos.

No período Neolítico, ou período da pedra polida, o naturalismo cedeu espaço a uma estilização geométrica que traz o artista à margem da realidade empírica. Em lugar da representação fiel, aparecem sinais esquemáticos e simplificados que sugerem mais do que produzem, a idéia em bloco, o conceito e a essência íntima das coisas. Ela pretende criar símbolos em lugar de representações fiéis dos objetos. Um passo dado para o surgimento dos hieróglifos e da escrita. A partir daí o homem começa a domesticar animais e adquirir conhecimentos sobre a agricultura e a pecuária. O início do movimento organizado de fornecimento de matérias primas necessários nos afazeres do dia-a-dia, que estavam começando a ser definidos também data dessa fase. A transição da caça e a coleta para o cultivo e a criação, modificou o ritmo da vida do homem da pré-história. Quando ele começou a tomar conhecimento das dificuldades existentes no princípio das organizações sociais, ou seja, as chuvas, as pragas, a fome e as catástrofes naturais de forma geral, começou a dar espaço para o surgimento das concepções de todas as espécies de demônios e bons espíritos. Acredita-se que isso originou o que hoje chamamos de religião.

O animismo, característica da arte neolítica, divide-se em realidade e supra- realidade, em mundo visível do fenômenos e o mundo invisível dos espíritos, em corpo mortal e alma imortal. Os ritos fúnebres do homem neolítico revelam a concepção da idéia de alma separada do corpo. O Ânima e o Mâna. Uma concepção da vida que antes era Monista, considerava a realidade como coerente e contínua, ligada ao presente, passa a ser Animista, dualista e tende a abstração por tratar de questões como a morte. Surge aí o processo inicial de intectualização e racionalização da arte.