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17/09/07

UFMG implanta primeiro curso no Brasil de graduação em Conservação e  Restauração de Bens Culturais Móveis
Texto: Marco Aurélio Reis
Fotos: Cláudio Nadalin

A UFMG anunciou nesta sexta-feira, 14 de setembro, a inclusão, já para o vestibular de 2008, do curso de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis, da Escola de Belas Artes (EBA), entre os 49 cursos ofertados pela Universidade.

O curso será diurno, com 30 vagas anuais, entrada única no primeiro semestre do ano e terá duração de oito semestres.  As aulas acontecerão nas instalações do Centro de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis (CECOR), órgão complementar da Escola de Belas Artes. As inscrições serão efetuadas no período de 21 de setembro a 4 de outubro apenas pela Internet (www.ufmg.br/copeve). O edital, publicado nessa segunda-feira, dia 17, no Minas Gerais,  também ficará disponível na página eletrônica da Copeve.

"A criação de um curso de graduação em Conservação e Restauração, pioneiro no Brasil, preencherá uma lacuna no ensino brasileiro, com a valorização da preservação dos objetos de valor artístico e histórico, criados e acumulados através dos tempos sendo, com certeza, um ganho extraordinário para o país na preservação do seu patrimônio, além de constituir um caminho para fortalecer a formação do profissional na área de preservação patrimonial", diz o parecer de avaliação da proposta do curso, aprovado pelo Conselho Universitário e pela Comissão de Legislação da Universidade.

De acordo com o  vice-diretor da EBA, Prof. Dr. Luiz Souza, com a criação do curso a  Escola de Belas Artes se configura como uma escola de artes peculiar não só no Brasil, mas no âmbito global das escolas de arte, por congregar num mesmo espaço físico e de idéias a conservação e restauração de bens culturais, além da criação artística e crítica das artes.

"Vamos consolidar nosso perfil de liderança no Brasil. A partir de agora vamos continuar nosso trabalho de colaboração com os nossos colegas da Argentina, do Chile, da Colômbia e do México, para consolidar e prospectar parcerias que se dediquem às mesmas questões vinculadas ao mercado e à formação profissional da conservação e restauração. Pretendemos fazer com que o curso trabalhe em integração com outras comunidades da América Latina e também da América do Norte e Europa, através de convênios, buscando espaço para nossos alunos fazerem estágios fora, e abrir espaço para que alunos do exterior possam vir para cá, além do intercâmbio entre professores. A integração com organismos nacionais e internacionais de preservação do patrimônio também é fundamental, sendo o IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico Nacional, um parceiro de extrema importância, por coordenar nacionalmente, no Brasil, a política de conservação e restauração de bens culturais", conta Luiz Souza.

 
Como fica o atual curso de especialização em Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis

A análise da situação do curso de  especialização que vinha sendo oferecido pela EBA/CECOR até então, fica a cargo da atual diretora do CECOR, Profa Bethânia Veloso. Segundo ela, com a implantação da graduação torna-se necessária a reformulação do curso de especialização que passará  a ser mais focado em questões especificas da conservação-restauração. "O curso de especialização agora vai ser direcionado. Nós vamos ter, por exemplo, restauração de pinturas de grande formato, restauração de esculturas de culto, ou restauração de livros do século XVIII", explica.

Praticamente desde que foi criado o curso do CECOR tem tido duração de dois anos, diferentemente de outros cursos de especialização que normalmente têm duração de um ano. "O curso exercia o papel quase de uma graduação. Não era esse o objetivo mas ele era o formador desse profissional de conservação e restauração".

Com relação a datas a Profa. Bethania prefere deixar em aberto por enquanto já que as atenções agora estariam voltadas para questões relativas ao novo curso de graduação. O que se torna evidente segundo a professora é a necessidade de ampliação da estrutura física e do corpo técnico/docente do CECOR para que ele possa abrigar ao mesmo tempo os dois cursos.


A trajetória da Restauração na Escola de Belas Artes

A trajetória da Restauração na Escola de Belas Artes começa em 1976 com processo de restauração de um conjunto de telas pertencentes ao Conservatório de Musica da Universidade. Na época foi enviado do Rio de Janeiro um técnico do IPHAN para orientar o grupo, formado por professores da EBA, que iria trabalhar nas telas. O processo de aprendizado se deu através da observação prática do que era feito pelo técnico Francisco Xavier Filho, conta a professora aposentada pela Escola, Beatriz Coelho, que fez parte daquele grupo de trabalho.

Motivada por questões que surgiram no processo de restauração das telas a professora Beatriz Coelho viria a fundar o CECOR e o curso de especialização em Conservação e Restauração, em 1978. "Eu comecei a notar que um monte de perguntas que a gente fazia, que eu fazia, não tinham resposta e eu queria respostas, queria saber mais".

Passados quase 30 anos desde sua fundação o CECOR é hoje referência na área de conservação, restauração e conservação preventiva. Sua estrutura física comporta ateliês, laboratórios, estúdio de fotografia, sala de aula teórica, equipamentos científicos de análise físicas e físico-químicas, além de técnicos e professores com formação e longa experiência neste campo do conhecimento. São praticamente três décadas de experiência em ensino, pesquisa e prestação de serviços na área, que fazem da UFMG a única universidade do Brasil em condições de implantar um curso dessa natureza.

Ao trabalhar a conservação preventiva através do LACICOR - Laboratório de Ciência da Conservação, onde o componente Ciência e Tecnologia está fortemente envolvido com as pesquisas na área de materiais, o CECOR/EBA vem abrindo áreas de colaboração interdisciplinares com, por exemplo, a Escola de Arquitetura e a  Escola de Engenharia,  e vem consolidando seu relacionamento com os departamentos de Química, Física e Micro Biologia da universidade, trabalhando com a questão do Patrimônio numa esfera mais ampla possível, envolvendo questões como técnicas e materiais pictóricos, conservação preventiva, gestão e análise de riscos para conservação de acervos, preservação digital, e educação patrimonial", explica.
 

Veja a estrutura curricular do novo curso, aqui