SEIXO
ROLADO Em novembro de 1999, o Programa de Aprimoramento Discente da Escola de Belas Artes (PAD/EBA) promoveu o workshop “Questão de Espaço II”, coordenado por Ana Tavares e Martin Grosman, onde foram propostas algumas reflexões sobre a utilização do espaço na arte contemporânea. Em paralelo a uma série de palestras sobre assuntos pertinentes ao tema do workshop, nos foi proposto como atividade prática elaborar um projeto para uma intervenção em um desses três lugares: o pátio interno da EBA, o saguão da Reitoria ou a olaria da UFMG. Todos os três ficam no Campus Pampulha, sendo o último, dentro da Estação Ecológica da UFMG. Os participantes do workshop dividiram-se em grupos menores e cada grupo escolheria o espaço que achasse mais adequado.
Nosso
grupo preferiu trabalhar com o saguão da Reitoria, um lugar de forte conotação
política e com características espaciais interessantes. Ao fim do workshop,
cada grupo apresentou seu projeto de intervenção utilizando maquetes,
fotografias, desenhos esquemáticos e demais recursos que fossem necessários.
No começo do ano seguinte, 2000, quando as aulas recomeçaram, consideramos a
possibilidade de executar nosso projeto, o que só foi acontecer em meados de
2001. Neste espaço de tempo o grupo passou por modificações de seus
componentes, sendo eles ao final: Daniel Saraiva, Guaraci Ribeiro, Jaider
Laederson, e eu, Lísia Maria. Em 18 de abril de 2001 foi aberta ao público a
instalação “Seixo Rolado”.
Para
a execução da obra foram utilizadas pedras tipo seixo rolado, elemento
presente em todo o projeto paisagístico do Campus Pampulha, que foram dispostas
no chão na forma de um retângulo de, aproximadamente, 12x3 metros. O retângulo
foi disposto exatamente na área de circulação entre a porta de entrada da
Reitoria e o balcão que dá acesso aos outros andares do prédio, área mais
restrita. Em cada pedra foi coloca uma plaquinha (feita em serigrafia sobre
chapa de off-set) imitando as placas de identificação do patrimônio móvel
pertencentes à instituição UFMG.
Muitos são os significados deste trabalho, entre eles: as pedras que fazem parte de todo o Campus invadem, de repente, o lugar onde são tomadas todas as decisões da Universidade; as placas colocadas nas pedras são totalmente incompatíveis com sua forma arredondada, a partir do que podemos pensar questões sobre poder, autoridade, adequação. Também tentamos, através da localização da obra e do contraste entre a “rusticidade” do material e a “sofisticação” da arquitetura do espaço, sensibilizar o passante para as qualidades estéticas de um espaço que, por força do hábito ou pelo seu mau uso, passa desapercebido. Lísia Maria
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