Luz coerente (laser)
É impressionante que nós possamos fazer qualquer coisa com a luz incoerente. Imagine desenhar uma figura com 3.000 diferentes lápis coloridos na sua mão de cada vez. Os lápis, ou multicoloridas e deslocadas frequências de luz, são incontroláveis e entrariam em conflito um com o outro. Uma imagem mais clara seria conseguida se nós jogássemos 2.999 lápis fora. Nós usaremos este conceito mais tarde para demonstrar porque o laser precisa ser usado para se fazer um holograma. Mas primeiro vamos voltar ao próprio laser.
O que é o laser?
Existem vários tipos diferentes de lasers usados atualmente e estão surgindo novos o tempo todo. O mais popular é o tipo hélio-neônio, primeiramente inventado em 1961 e que é também o mais usado em holografia. Nós o usaremos como modelo para explicar como o laser funciona.
O laser deste tipo consiste em um tubo de gás cheio de uma mistura precisa de dois gases, hélio e neônio. O tubo é selado e permanece transparente em ambas as extremidades. Em uma delas é colocado um espelho com alta qualidade de reflexão (100%). Na outra é colocado um outro espelho que reflete em torno de 98% ou um pouco menos. A colocação dos espelhos é crítica - eles têm que estar perfeitamente paralelos e a distância entre eles têm que ser um múltiplo exato do comprimento de onda que o laser vai produzir. Lembre-se, os comprimentos de onda variam apenas uns poucos bilionésimos do metro, então se os espelhos estiverem ligeiramente fora do alinhamento eles não funcionarão. Uma arte muito precisa, esta de construir lasers.
Se nós desejamos produzir luz coerente, a energia apropriada deve ser irradiada dentro de um tubo de modo a fazer os elétrons alcançarem níveis de energia mais altos. Isto é o que a fonte de energia faz, pela estimulação dos átomos de hélio. Os átomos de neônio são então levados a um nível de energia mais alto pela colisão com os átomos de hélio. À medida que os átomos excitados de neônio retornam ao seu relaxamento ou estado solo, fótons vermelhos similares aos produzidos nos anúncios a neon são liberados. Entretanto estes fótons por sua vez estimulam átomos vizinhos, e o processo continua até a maioria dos átomos estarem em estado alterado. Esta é uma condição não-natural e é conhecida como inversão populacional.
Muita da luz produzida escapa pelos lados do tubo; entretanto uma quantidade muito pequena começa a circular para trás e para frente entre os dois espelhos. Uma vez que os espelhos estão posicionados a uma distância igual a um múltiplo exato do comprimento de onda, cada um se soma ao topo do próximo, aumentando enormemente a amplitude do feixe. Apenas os comprimentos de onda que são exatamente do comprimento certo, neste caso, 633 nanômetros (6.328 angstroms para aqueles que são mais precisos) são amplificados entre os dois espelhos. Finalmente, a luz se torna brilhante o bastante para sair pelo espelho que não é completamente reflexivo, e nós vemos um raio de luz coerente de uma única frequência.
Existem, naturalmente, outros tipos de lasers, embora muitos deles não apropriados para holografia: são muito caros para a maioria das pessoas, ou são difíceis de usar corretamente.
O primeiro laser, construído em 1960, não usava um tubo cheio de gás, mas um cilindro de rubi de estado sólido. O rubi artificial (diferente das pedras naturais) é cuidadosamente produzido e polido com suas terminações exatamente paralelas. Este laser emite um pulso curto em lugar de um raio contínuo, uma vez que seus átomos vão do estado excitado ao estado solo todos de uma só vez. Esta propriedade é muito valiosa (veja holografia pulsada).
Um laser produz uma quantidade relativamente pequena de luz, entretanto desde que ela é concentrada num feixe estreito, é extremamente intensa, e não obedece a lei do inverso do quadrado da distância. Este é o porque de um raio não espalhado poder ser danoso aos olhos; nossas lentes focalizariam essa intensa luz num pequenino ponto, causando lesões. A maioria dos lasers de hélio-neônio emitem apenas uns poucos miliwatts ou milésimos de 1 watt, enquanto, por comparação uma pequena lâmpada de árvore de natal produz em torno de 1 watt. Um laser que produz um feixe de 1 watt ou mais é capaz de queimar coisas. Incrível, não?
Existem naturalmente muitos tipos de lasers que não o de hélio-neônio e o de rubi pulsado. Alguns dos mais populares são os de Argônio, Hélio-Cadmio, YAG, e os novos diodos laser de estado sólido.