FOTOGRAFIAS DE 
PAULO BAPTISTA 
 
 
 
 
 
 

 

 

 

 

O meu interesse pela fotografia de paisagem vem evoluindo ao longo dos anos, em paralelo a uma convivência mais íntima com cenários naturais ainda relativamente pouco afetados pela expansão da ocupação urbana, agropecuária e industrial, porém muito próximos das grandes cidades e, portanto, extremamente vulneráveis à degradação ambiental imposta por esta expansão. 

Desde 1981 tenho fotografado a paisagem natural de Minas Gerais, concentrando meu interesse nas paisagens da Serra do Espinhaço e do Quadrilátero Ferrífero. Estas regiões estão incluídas num maciço montanhoso que corta o estado de Minas desde a Serra da Mantiqueira, ao sul, até a Serra do Cabral, ao norte do estado. Situam-se neste roteiro, entre outras regiões, a Serra da Moeda, nos arredores de Belo Horizonte, o Parque Natural do Caraça, a Serra do Cipó e o Pico do Itambé, próximo a Diamantina. 

A partir de 1987, passei a realizar este trabalho usando câmaras de formato grande, que usam filme em chapas planas de 4x5 polegadas, e permitem obter uma maior definição e controle das variações tonais da imagem. Ao mesmo tempo, elas também obrigam a um ritmo de trabalho mais lento, porque o equipamento é pesado, exige a operação sempre com uso de tripé, as chapas têm que ser carregadas e reveladas individualmente, etc. Isto faz, no meu caso, com que o processo de criação das imagens seja bastante introspectivo, tanto na tomada dos negativos como no processamento em laboratório. 

Estas fotografias são desta fase mais recente, em que busco, através da descrição de cenários que me são particularmente caros, despertar nas pessoas que as vêem preocupações relativas à preservação destes locais. Elas são fruto de anos de procura por imagens que relacionem a paisagem natural de Minas Gerais, com suas montanhas e incontáveis cursos d’água, a uma preocupação pessoal com a sua sobrevivência à ação degradante das mineradoras e da especulação imobiliária. São, enfim, uma tentativa de perpetuar em imagens um pouco do que resta de espaço vital para nossos filhos e netos.