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A técnica no contexto social de seu surgimento
O trançado
A cerâmica saramenha
Papel Artesanal
A origem da cerâmica
Entrevista com Maximo Soalheiro
Minas do Ouro
Projeto de Pesquisa
Arte e Artesanato - Projeto Completo
Agradecimento aos Artistas

Grupo:

Marina Paulino Bylaardt
Marcela da Costa Ferreira
Xavier Beve
Regeane Lopes de Carvalho
Ana Virgínia Cândio
Audrey Melgaço Teixeira

Trançado

Técnica:

O trançado, originalmente, era feito a partir de um contato muito próximo com a natureza. Desde o simples ato de colher as fibras, respeitando sua lua e sua época correta de colheita, ao uso que era feito do trançado.

No Brasil, existe uma grande variedade de fibras como ouricuri, embira, carnaúba, taquara, babaçu, bananeira, taboa, cipó, etc. Depois de colhidas, essas fibras passavam por um longo processo de tratamento, que era feito com cinzas, e a fibra era batida repetidamente. Hoje, o processo tornou-se diferente, bate-se a fibra no liquidificador e ferve-se com soda cáustica, o que facilita e agiliza o trabalho, mas que também provoca mudanças na maneira de encarar o fazer.

Depois desse tratamento inicial, elas podem ou não ser tingidas, geralmente com corantes naturais que são normalmente encontrados na cor preta, vermelha e em vários amarelos. Hoje em dia, podemos utilizar corantes artificiais.

Então a fibra agora está pronta para o trançado. Esse possui uma infinidade de técnicas e são usados para fazer os mais diversos tipos de objetos como chapéus, esteiras, espanadores, cestas de todas a espécie, redes, miniaturas, etc.

Origem e contextualização:

No Brasil, o trançado surge em todas as tribos indígenas por sua acessibilidade e abundância de matéria prima. É uma área de grande importância histórica e cultural do nosso país. Ele assume formas que narram as lendas dos nossos mitos originais e contam a história das tribos indígenas. O ato de trançar uma fibra está profundamente ligado à trama do destino e à história dos homens. Quem faz o trançado está, de certa forma, criando uma história.

Para os índios, o fato do trançado estar intrinsecamente ligado à sua utilidade não diminui seu valor simbólico e narrativo. Para eles forma (beleza), utilidade e sacralidade estavam intrinsecamente ligados. O sublime estava muito ligado ao cotidiano. A arte e o artefato, em quase todas as épocas, foram a mesma coisa. A separação entre elas é coisa recente inventada pelo homem branco.

Os objetos produzidos por uma cultura podem falar muito sobre ela. A diferença básica na produção de utilitários dos índios para a nossa é que eles faziam tudo com as próprias mãos. A fibra era colhida, tratada com cinzas, surrada, finamente trançada, ornamentada, sempre fibra por fibra. Cada objeto é feito como único, sendo assim, um objeto que exige um tratamento tão trabalhoso e individual só pode culminar impregnado das mãos de quem o trançou, que por sua vez está impregnado de sua cultura. Numa tribo indígena, a noção de coletividade é muito maior e mais significativa do que a que conhecemos em nossa sociedade. Mesmo por uma forte busca da sobrevivência, o indivíduo só é fraco e impotente, ele só se torna um indivíduo na sua totalidade se estiver intrinsecamente ligado a uma coletividade. O pensamento individual e o pensamento coletivo unidos. Uma obra de arte, que normalmente tem seu uso utilitário, nem sempre é feita inteiramente por uma pessoa, mas em nome da tribo e geralmente por um grupo.

Para compreendermos o quanto um utilitário fala de uma cultura vejamos nossos utensílios diários, feitos em série, padronizados e geralmente pouco duráveis, enfim, superficiais. Nossos utilitários também não descreveriam nossa cultura?

O Trançado hoje:

O trançado, e em geral, todo tipo de artesanato, na sua origem era feito apenas como um objeto utilitário, passando mais tarde para objetos decorativos. No começo esses objetos decorativos (seriam arte?) eram feitos individualmente ou em famílias, o que permitia sempre mudanças e uma liberdade de criação, os artesãos não estavam presos a moldes pré determinados. Com a chegada do capitalismo, e tendo este se infiltrado cada vez mais na vida dessas pessoas, o que aconteceu foi que, para que os artesãos pudessem lucrar mais resolveram se organizar. Iam todos para grandes galpões, elegiam um líder. Essas mudanças afetaram profundamente a produção de cestos, pois o que antes era um trabalho autônomo, feito com muito prazer, agora é um trabalho institucionalizado, além disso, os artesãos, passaram apenas a copiar modelos pré determinados pela quantidade de venda e lucro que este ou aquele pode gerar. De artesãos passaram a meros reprodutores.

A cestaria, mesmo sendo ainda feita em grande escala no Brasil, sofreu também muitas mudanças nos seus métodos. Uma arte tão minuciosa não teria como sobreviver intacta tendo que competir com produtos industrializados, que são feitos em série e por grandes empresas, que acabam saindo muito mais baratos e fabricados com muito mais facilidade. Tudo isso fez com que essa arte fosse extremamente desvalorizada.

Trançado na Arte Contemporânea:

É realmente muito difícil encontrar artistas que trabalhem, hoje, com trançado. Encontramos muito mais exemplares no artesanato. Podemos perceber que existe um forte preconceito com esse tipo de trabalho, a busca desesperada dos artistas contemporâneos por um linguagem inovadora muitas vezes não inclui o que chamamos de artes menores, no caso, o trançado, a não ser nos meios específicos, como na Bienal de Lausanne - Suiça, aonde são reunidos representantes de artistas que trabalham com fribra em geral. A recorrência de artistas plásticos que trabalham com trançado é muito mais forte nos anos oitenta para baixo. Na arte contemporânea não existe muito lugar para técnicas tão complexas e arcaicas. É necessário inovar para disputar a incrível briga do mercado de trabalho.

No Brasil, encontramos poucos artistas dessa área, provavelmente existem muitos, mas não são muito divulgados.

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