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ARTE
PLUMÁRIA - ÍNDIOS BRASILEIROS
OBJETIVOS DESTE TRABALHO
Pesquisar
sobre a produção plumária indígena
brasileira, no âmbito ritualístico, tanto sobre
a sua confecção, quanto para a que fim se
destinam os adornos plumários.
Junto
com a pesquisa realizada na cidade de Inhaúma, este
trabalho visa a verificação da produção
artística e/ou artesanal realizada fora dos grandes
centros urbanos.
A ARTE
PLUMÁRIA
No Brasil,
existem pelo menos 30 grupos indígenas que produzem
adornos plumários. Alguns deles: Xavante, Waurá,
Juruna, Kaiapó, Tukano, Urubus-Kaapor, Asurini, Karajá.
A arte
plumária indígena possui um caráter
ritualístico, em dois níveis:
1 -
A confecção das peças (modo de fazer):
é feita exclusivamente pelos homens, que obedecem
a um ritual de caça, coleta, separação,
tingimento, corte, amarração, etc.. da matéria-prima,
afim de dar uma forma específica a ela.
2 -
Finalidade (simbolismo):
· A arte plumária é uma forma de comunicação,
de linguagem.
Os grupos indígenas ornamentam o corpo em contraposição
aos outros seres vivos (animais e outros grupos indígenas).
Contrapondo-se os diferentes grupos indígenas cria-se
um diferencial, tanto no aspecto interno da tribo quando
no externo a estes grupos.
·
Extrapolando o conceito de enfeite, a plumária é
um símbolo usado em ritos e cerimônias. Pode
representar mensagens sobre sexo, idade, filiação
(clã), posição social, importância
cerimonial, cargo político e grau de prestígio
dos seus portadores e possuidores.
·
O uso dos objetos plumários é privativo aos
homens principalmente nos cerimoniais onde eles possuem
um papel mais destacado que as mulheres.
ARTE
PLUMÁRIA
Matéria
prima + Domínio técnico + Senso estético
( beleza ) desenvolvido
Matéria Prima
·
Penas - são os maiores elementos da plumagem. Provenientes
da cauda e das asas das aves.
· Plumas - cobertura das costas e do abdomen das
aves. São menores, largas e arredondadas.
· Penugem - pequenas plumas do pescoço, das
costas e do abdomen das aves. Possuem a sua estrutura descontínua.
TÉCNICAS
·
Associação da plumagem com outros materiais
- fibras vegetais, taquaras, madeiras e a procura da perfeita
adequação de efeitos formais, decorativos
e técnicos.
· Os grupos indígenas possuem técnicas
de transformação desta matéria-prima.
Cor
Alteram
as cores das penas tingindo-as ou através de um técnica
conhecida como Tapiragem, que consiste num processo em que
a pena adquire a coloração amarelo-alaranjado.
É feita da seguinte forma: os índios arrancam
as penas verdes do papagaio e no local esfregam uma secreção
leitosa da 'pequena rã'. Assim, as penas, ao crescerem
novamente, adquirem a coloração desejada
(Tribo Tukano- noroeste da Amazônia).
Forma
Os índios
alteram a forma original das penas através de cortes
que adquirem formas variadas:
Serrilhadas bilateralmente nas bordas, em forma de cálice,
espiraladas, retangulares ou triangulares e muitas vezes
são apenas aparadas no ápice.
Fixação
Amarração:
as penas são fixadas horizontalmente em cordéis
com a ajuda de "amarrilhos" ou então amarradas
pela base em torno de hastes, roletes e cordéis ou
nas extremidades desses suportes. Fixam-se as penas entre
si, à trama dos tecidos, às sementes e às
unhas de animais.
Colagem:
fixação de penas, plumas e penugens. É
feita através de resinas sobre superfícies
diversas: couro, uma pena maior, tecido trançado,
folhas secas, líber, etc... Podem também ser
coladas no próprio corpo, conseguindo assim alguns
efeitos como: um mosaico de plumas, a emplumação
em placa (colagens de peles emplumadas) e a emplumação
arminhada (colagem de penugem branca de certas aves enquanto
filhotes).
TRIBO DOS URUBUS-KAAPOR
·
Uma das tribos mais evoluídas na arte de confecção
de adornos plumários.
·
Dado ao virtuosismo da execução, a delicadeza
das formas e a variedade de tipos de penas e plumas utilizadas,
os adornos plumários kaapor já foram definidos
como "Jóia de penas".
·
Adornos usados no ritual de nominação
Tembetá
- ornitoforma, compõe-se de uma pena base de cauda
de arara canga, que, na parte inferior, recebe uma incrustação
de pele e respectivas plumas de tons azuis e negro. Em sentido
diagonal, dispostos em maneira de asas, aparecem fios, destacados
das penas mais longas ( da arara). Na parte superior do
tembetá aparecem penas azuis em mosaico.
Colar
- apito de cúbito de ave. Ladeado por feixes de penas
caudais de arara. É utilizado sobre o peito com um
pingente que pende sobre o dorso (também ornitofomo).
Braçadeiras
- plumas alaranjadas de papo de tucano com uma representação
bastante realista de flores.
Brincos,
pulseiras e testeira - esta última é revestida
internamente por uma fina camada de látex para aderir
à pele - confeccionados com penas de saí.
TRIBO DOS KAYAPÓS
·
A plumária Kayapó é extremamente variada.
Possuem cocares, testeiras, diademas, braçadeiras,
pulseiras, bandoleiras, ornamentos, dorsais e flechas.
·
Existe uma variedade de ornamentos dentro de um mesmo grupo
Kayapó. Os ornamentos variam em forma e tamanho,
tornando possível a identificação dos
diferentes subgrupos (escala social).
"...apesar
de possuírem uma tradição artística
comum, cada grupo evoluiu ao longo de orientações
estéticas próprias sendo que a criatividade
de um artesão anônimo levou a novas expressões
artísticas." (VIDAL in "Arte plumária
do Brasil", p. 32)
RITUAIS
·
A plumária kayapó é usada nos rituais
de iniciação masculina e nominação,
no casamento e na paramentação dos mortos
nos rituais funerários.
·
A ornamentação plumária se relaciona
com a vida cerimonial dos kayapós, enquanto no cotidiano
o que prevalece como ornamentação do corpo
são as pinturas.
·
Os ornamentos possuem grande simbolismo para os kayapós.
Por exemplo: para um sub-grupo kayapó (kayapó-xikrim)
os objetos de plumária podem representar um olho,
sendo as penas utilizadas em pestanas. Ou o sol, onde as
penas representam os raios.
Conclusão:
Dos
costumes indígenas, a arte ornamental (plumária
e pintura corporal) é a mais prejudicada pelo contato
com o homem branco.
Os adornos plumários, hoje, são muito mais
objetos confeccionados para venda ou troca com os visitantes
das tribos do que para o próprio uso, como foram
no passado. Ainda assim, apesar de deturpada, a produção
de artefatos, que visa o comércio, ajuda na preservação
dessa arte.
A produção
desse "comércio para turismo" gerou uma
tendência a priorizar a quantidade em detrimento da
técnica e do seu conteúdo simbólico.
BIBLIOGRAFIA:
ARTE
PLUMÁRIA NO BRASIL, 1980, Brasília: Fundação
Pró-Memória, 1980.
78p. ( Catálogo de Exposição).
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