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A técnica no contexto social de seu surgimento
O trançado
A cerâmica saramenha
Papel Artesanal
A origem da cerâmica
Entrevista com Maximo Soalheiro
Minas do Ouro
Projeto de Pesquisa
Arte e Artesanato - Projeto Completo
Agradecimento aos Artistas

Grupo:

Marina Paulino Bylaardt
Marcela da Costa Ferreira
Xavier Beve
Regeane Lopes de Carvalho
Ana Virgínia Cândio
Audrey Melgaço Teixeira

O PAPEL ARTESANAL

O tema por qual eu escolhi, dentro do contexto arte e artesanato no grupo da tecnologia, foi o papel de fibra ou papel artesanal. Dentro da tecnologia, tenho a função de mostrar todo seu processo de criação, desenvolvimento do papel.

HISTÓRIA

O papel no Oriente

A beleza do papel oriental reside em sua maleabilidade, transparência, qualidade da sua superfície e força. Os papéis orientais eram utilizados na confecção de pipas, painéis de correr, roupas, bonecas, coberturas de pisos e em cerimônias espirituais. O processo é trabalhoso e demorado. Tradicionalmente, a confecção do papel artesanal é uma atividade de outono e inverno. Durante a primavera e verão, a terra é preparada para crescer as plantas destinadas à confecção do papel.

O papel, foi inventado na China em 105 A.C., criado por Ts’ai Lun, ministro de obras públicas do imperador Ho-Ti. Ts’ai Lun descobriu que a camada interna da casca da amoreira misturada a trapos, cânhamo e velhas redes de pescaria podia ser reduzida a fibras que, trituradas e emaranhadas, formavam uma folha. Esses materiais eram batidos até se transformarem-se em uma substância pastosa, que era colocada em uma grande tinta e diluída em água, onde mergulhava-se um molde raso e poroso. Retirava-se o molde e a água escoava pelo fundo, deixando uma camada de fibras que, ao secar, tornava-se uma folha de papel. Apenas cem anos mais tarde o papel se tornaria conhecido por outros povos, mantendo a China o monopólio de sua fabricação. No ano 610, provavelmente, no inverno foi levado à Coreia, e de lá ao Japão.

No inicio do século VIII, os árabes invadiram a China, e descobriram o segredo da manufatura do papel. Os Árabes foram os primeiros a introduzir as oficinas de papel no ocidente. Em 1150, os Árabes estabeleceram as fábricas de papel na Espanha Toledo e Valença, que abasteceram por muitos anos os países da Europa.

O papel no Ocidente

Durante centenas de anos, todo o papel era produzido à mão a partir de pasta de trapos. A França, no Herault (1189), deu início a sua própria fabricação. Na Itália (1273), Fabriano e Bolonha fundaram suas primeiras manufaturas, sendo instituída em Fabriano (1293) a maneira de identificar o papel por meio da marca d’água. Assim, o invento do papel e o processo da fabricação foram levados à Suíça (1275), Alemanha (1320), Portugal (1411), Inglaterra (1490), México (1575), Estados Unidos (1690) e Brasil (1811).

Em 1928, o artista plástico Dard Hunter instalou um engenho em Connecticut, a fim de confeccionar papel artesanal em pequena escala, e sua intensiva pesquisa influenciou a maioria de todo o nosso material de consulta. Ele viajou pelo mundo juntando uma enorme coleção de equipamentos para confecção de papel artesanal, e amostra de papéis, que hoje encontram-se no museu e Biblioteca Dard Hunter, no Institute of Paper Chemistry em Appletown, Winsconsin.

O papel no Brasil

Em 1809/1810 foi construída a primeira fábrica de papel no Brasil, em Andaraí pequeno,RJ.Com exceção do México, nunca antes havia se confeccionado papel artesanalmente na América Latina. Na década de 80, há uma retornada do papel artesanal como reação política, cultural e ideológica.

O papel em Minas Gerais

Marlene Trindade retomou as pesquisas da arte de fazer papel utilizando fibras vegetais. Professora da UFMG, criou o primeiro atelier experimental de papel feito à mão, na Escola de Belas Artes, institucionalizando assim o estudo do papel artesanal, e em 1981/82 no Festival de Inverno e na comunidade do bairro Lindéia. A partir dessa experiência, vários artistas mineiros iniciaram sua produção de papel artesanal, tornando Minas Gerais um grande centro de pesquisas de papel artesanal.

O papel feito à mão

O desenvolvimento artesanal é um processo apaixonante, polêmico e delicado. Apaixonante porque revela a dicotomia entre a tradição e a inovação. Polêmico e delicado porque pode colocar o artesão em uma posição de risco e de dependência extremas. O desenvolvimento artesanal é um processo integral a partir de três eixos fundamentais: a cultura, o meio ambiente e a economia.

O papel é uma suspensão de fibras celulósicas — carboidrato formador da parede celular de todas as plantas. O papel feito à mão é inigualável por sua cor, textura e duração. Por tudo isso é que este artístico ofício deve ser preservado a todo custo. As folhas papel são fáceis de fazer, utilizando instrumentos simples e de baixo custo.

Reciclagem

A reciclagem consiste na utilização do papel velho para obtenção do papel novo. Era uma prática limitada até o final da década de sessenta. Nessa época, a preocupação crescente com a poluição ambiental incentivou o reaproveitamento de detritos sólidos. A reciclagem também recebeu o apoio de grupos conservacionistas que insistiam na melhor proteção dos recursos naturais.

O papel leva três a seis meses para se decompor na natureza. Algumas razões para que se recicle o papel:

- Reduzir custos de abastecimento em matérias primas. A pasta de papel reciclado pode substituir uma enorme quantidade de pasta mecânica e química.

- Economizar recursos naturais: madeira, água, petróleo e eletricidade.

- Melhorar a competitividade das usinas que utilizam matérias-primas recicladas.

- Estimular as fábricas e aumentar a taxa de reciclagem em sua produção.

- Criar empregos: catadores de papéis, sucaterias, donos de depósitos, aparistas e industriais.

- Diminuir custos de coleta e tratamento do lixo.

O papel pode ser reciclado várias vezes, dependendo do tamanho de suas fibras. Esse processo pode ocorrer de forma artesanal ou industrial. Para aproximadamente 50 quilos de papel reciclado, poupa-se o corte de uma árvore.

Os melhores papéis para reciclagem são aqueles que oferecem resistência para rasgar. O saco de cimento e o papel craft são celulose de araucária, longas, que ainda não sofreram branqueamento, sendo portanto excelentes papéis para a reciclagem. O filtro de café de papel é fibra de algodão. Aparas de gráfica, como papéis canson, vergê e outros também prestam-se à confecção do papel artesanal.

Entretanto, alguns papéis não se prestam à reciclagem: o papel carbono ou carbonado é extremamente tóxico, bem como o estêncil — que contém chumbo; jornal contém muita toxina; papel cuchê brilhante tem a celulose pequena e deixa muito resíduo. Papéis laminados, plastificados e encerados devem ser evitados, bem como o papel fotográfico.

Processo de reciclagem do papel:

1. separar os papéis a serem reciclados por tipo, cor e gramatura;

2. rasgar o papel em pedaços pequenos;

3. deixar de molho por 24 horas;

4. bater no liquidificador;

5. branquear ou tingir, conforme o desejado.

Branqueamento: para branquear a fibra, coloca-se 50 ml de hipoclorito de sódio ou 100 ml de cloro para 10 litros de pasta. Deixa-se a fibra até alcançar o tom desejado ou no máximo até duas horas. Para a neutralização, acrescenta-se 50 ml de ácido acético ou 250 ml de vinagre para 101 de polpa, deixa-se 20 minutos, e depois lava-se em água filtrada.

Tingimento: utilizar 1 colher (sopa) de pigmento para cada litro de água. Prepara-se a tinta separadamente, mistura-se na pasta e deixa de ferver por uma hora. Depois é necessário um repouso de 12 horas. Lava-se bem a pasta, e faz-se a fixação: para 101 de água, coloca-se 50 ml de ácido acético ou 250 ml de vinagre, e deixa-se a pasta nessa

solução por 30 minutos.

6. químicos: 101 de pasta, adicioná-los na seguinte ordem:

timol : fungicida, age enquanto o papel tem umidade.

Colocar 4 ml de timol (1 colher de chá ) em11 de álcool absoluto(dura 6 meses). Colocar 1 colher de café na pasta.

2. Borato de Sódio (Bórax): bactericida/inseticida, tem ação permanente. Dissolver 8 g (1 colher chá) em água morna.

Colocar 1 colher de chá na pasta.

CMC (Carbox Metil Celulose): aglutinante. Dissolver 1 colher de sopa em 11 de água. Mexer e deixar por 8 horas em repouso (dura 3 dias). Colocar 1 litro coado na pasta.

7. checar o PH utilizando a fita medidora de PH, que de estar perto do neutro. Deixar uma reserva alcalina, em torno de 8 ou 9, no máximo.

Feltragem: colocar a polpa numa banheira com bastante água, e "fazer a cama" na espessura desejada. Agitar bem, e introduzir a tela de baixo para cima, com movimentos suaves para que a nata fique o mais homogênea possível. Retirar a janela (quadro), colocar a entretela e retirar o excesso de água com o esponjex.

Secagem: o papel deve ser pendurado num varal, em local à sombra e sem muito vento.

Prensagem: a prensagem dá-se em dois níveis:

- prensagem do papel molhado — remove-se a água da polpa, transformando-a em papel, o que acelera o processo da secagem. Compacta suas fibras, forçando as fibras flexíveis a um contato íntimo uma com as outras, onde eles eventualmente vão fazer a ligação, tornando o papel mais resistente. A primeira prensagem deve ser leve e rápido.

- prensagem final (com o papel seco) — acerta-se o papel, tornando-o mais liso. O papel pode ser empilhado diretamente um sobre outro entre duas placas de polietileno, e prensado com mais pressão. O papel deve permanecer na prensa por 24 horas.

A prensagem pode ser manual ou hidráulica, com equipamentos comprados ou artesanal. Para a confecção do papel, ela deve ser segura, de fácil manuseio, e potente o suficiente para poder extrair grandes quantidades de água.

ALGUNS "EFEITOS" NO PAPEL:

  1. sanduíche: tirar a folha, e antes de retirar o excesso de água, colocar o que quiser sobre ele (pétalas, folhas, fios, etc). Em seguida, colocar outra folha por cima. As fibras de baixo juntam-se às de cima e o papel passa a ser um só, com o material no meio.
  2. Relevo: prensar o papel com renda, folhas de árvores ou outro material que possa transferir sua forma a ele.
  3. Objeto esculturais: com papel úmido, ir cobrindo os espaços entre arames, ripas, tiras de papelão, galhos, tubos, etc.
  4. Flocagem : flocar é adicionar outros elementos à pasta, sem que tornem homogêneos, mudando aspecto do papel. Podem ser utilizados cascas de alho e cebola, que devem ser fervidas por meia hora, lavadas e feridas novamente, batidas no liquidificador e acrescentadas à pasta.

Equipamentos e materiais

Equipamentos:

Liquidificador industrial e prensa hidráulica ou placas de madeira e sargentos.

Materiais:

ácido acético,

ácido absoluto,

avental,

balde plástico,

bórax (Borato de Sódio),

moldes,

cloro,

CMC (Carbox metil Celulose),

colher de medida,

entretela sem cola n° 51.020,

esponjex,

hospitalar Frame,

pano de nylon (volta ao mundo),

placas de polietileno,

Timol,

tinturas (para tingir a fibra).

A CELULOSE

"A celulose, substância branca e amorfa é produzida espontaneamente nos vegetais com o resultado da fotossíntese. De todos os componentes naturais do carbono, a celulose é possivelmente o elemento mais abundante da parede celular de todas as árvores, arbustos, palhas, e pastos. Geralmente a celulose se encontra em estado fibroso, possui grande resistência à tensão e constitui o componente mais importante da polpa e do papel. As plantas são formadas por vários elementos, muitos de constituição complexa. Os interessado por papel precisam se familiarizar somente com dois principais componentes: a celulose e a lignina. A celulose, que eventualmente se converte em polpa, é composta de inúmeras fibras muito mais finas que o cabelo humano e cujo o comprimento se mede por mm. É um material relativamente resistente a oxidação por agentes cáusticos; no entanto, quando se usam certos reagentes em excesso os efeitos são maléficos. A resistência à tensão diminui notavelmente quando se faz o branqueamento. A solução em água fria é melhor pra celulose do que a água quente.

A Liguinina

É um componente intercelular incrunstante ou cimentador das células fibrosas dos vegetais. Funciona como recheio para dar rigidez ao talo da planta. A lignina representa 30% dos componentes dos vegetais. Se eliminarmos a celulose, os carboidratos, os açúcares, os sais orgânicos e as proteínas, somente restará esta substância que será preciso separar por meio de processos químicos para obter a polpa. A eliminação da lignina e dos demais elementos não fibrosos se realiza no "degestor" já mencionado e em meio alcalino desintegrante como a soda cáustica. Uma vez completo o processo, os vegetais devem ser lavados exaustivamente e um posterior tratamento mecânico deve ser feito para liberar totalmente as células individuais".

O PAPEL DE FIBRAS NATURAIS

Alguns tipos de fibras

- fibras de folhas: a indústria têxtil e a cordelaria usam os fios tirados das folhas de certos vegetais por raspagem manual ou mecânica. Exemplos de fibras de folhas: sisal, pita, yuca, gramíneas (trigo, arroz, aveia, centeio, cevada, etc.), caroá, espada de São Jorge e outras.

- fibras da bainha foliar: a bananeira — são usadas as fibras da bainha foliar (pseudo tronco). Usar somente as partes saudáveis. O palmito (o miolo da bananeira) não é bom. As fibras vão melhorando de dentro para fora. Cortar em pequenos pedaços e cozinhar numa solução de soda cáustica.

  • fibras liberianas: estas fibras são obtidas da parte externa ou do liber do talo das plantas dicotiledôneas. Raspar a parte verde e retirar a casca. Cozinhar na solução de soda. Exemplos: cânhamo, linho (o linho foi usado na idade média, na forma de trapos velho para a fabricação de papéis finos para a escrita, impressão e papel moeda), mamona, quiabo, papiro, etc. A amoreira do papel é um arbusto originário da Ásia Oriental, também chamado de Kozo no Japão, onde é usado para folhas especiais para impressão e desenho.
  • fibras de fruto: o algodão — sua fibra é usada na maioria dos papéis de trapo. Seu fruto contém as sementes que produzem os pêlos. Os melhores papéis para desenho, etc, são feitos do trapo de algodão, por serem quase que celulose pura.

TINTURA VEGETAL

Os corantes vegetais são obtidos de partes das plantas: das folhas, flores, sementes, casca de caule, raízes. As plantas secas, rendem o dobro das verdes. Os corantes mais simples são os amarelos, marrons, castanhos, avermelhados, sépias, laranjas, etc. Neste texto indicarei apenas alguns dos mais simples. Para a tintura vegetal é necessário o uso de mordentes. O mordente a cor. Os mordentes são fixados da cor.

No uso de produtos químicos é bom saber algumas coisas muito importantes:

- conservar os produtos em potes de vidro;

- conservá-los bem seco e fechados;

- manter o produto fora do alcance de crianças e animais;

- escrever sempre o nome do produto no vidro;

- trabalhar com luvas de borracha e máscara;

- não usar mais do que a quantidade requerida;

- colocar sempre os produtos químicos na água (para soluções), nunca o contrário.

As folhas são apanhadas quando atingem seu crescimento pleno. Desprezar as que estão deterioradas.

Os talos também, quando já estão desenvolvidos.

As flores, em plena floração.

Os frutos, quando estão completamente maduros.

As cascas do frutos, antes deles estarem maduros.

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