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A
técnica no contexto social de seu surgimento
"Ao
assumir a atitude erecta que lhe permitiu completa utilização
das mãos, o homem diferenciou-se dos demais animais.
Das mãos brotou-lhe a primeira Expressão cultural,
ainda pelas mãos o homem deixou a irracionalidade
rumo à razão."
Josephina
e Francisca
Fundação
Cultural de Mato Grosso
Desde
os primórdios, o homem veio fazendo incontáveis
utilizações da terra e seus minérios,
tendo em vista as demandas das humildes necessidades de
utensílios, seja em sua vida material, seja em sua
vida espiritual: construir a casa, cozinhar, conservar os
alimentos, ter imagens e enfeites.
Assim,
a cerâmica nasceu com o homem, não se desconectou
dele e é indicadora de sua engenhosidade e de sua
capacidade de invenção.
Os
diferentes povos tiveram experiências diversas e essas
experiências refletiram o contexto social, imaginário
e econômico desses diferentes povos.
Um outro momento importante da técnica ceramista,
no contexto social, acontece com o surgimento de modos maquinísticos:
fazer rodar a peça para, com as mãos, moldá-la
de forma homogênea e a mais lisa possível.
A roda do operário do barro é, pelo que se
sabe, um invento de Acalo ou de Talão, sobrinho de
Dédalo.
Ela
constitui-se de um disco de madeira fixado horizontalmente
em um eixo que leva por cima um outro disco horizontal.
Sentado, defronte à mesa atravessada pelo eixo, o
artesão apóia o pé no disco inferior,
dispondo no disco superior o barro ao qual quer dar forma.
Movendo o pé, imprime ao disco superior um movimento
circular, obtendo-se assim (moldando) os objetos de forma
arredondada.
A
invenção desse sistema colocou a base de se
produzir peças mais rapidamente, prenunciando o futuro
do produzir em série.
A
cerâmica na era do plástico
A
produção de cerâmica folclórica
seja utilitária ou figurativa - tende a diminuir.
Segundo o escritor francês Malraux, a manutenção
de uma arte popular regional está ameaçada
pela massificação do povo. E isso acontece
no mundo todo. O rádio, o cinema, o disco, o jornal,
e o telefone transferem comportamentos e costumes dos grandes
centros urbanos para o mais agastado interior. O retardamento
no alcance destas populações é o que
permite que, de alguma forma, certas culturas, como a do
artesanato de barro, ainda existam. Mas a tendência
é de uma uniformização de gostos e
preferências.
Por
outro lado, a cada dia, é menor a livre expansão
da atividade criadora. As pessoas que vivem de artesanato
não têm condições econômicas
para continuar sobrevivendo artisticamente. E já
não há tanta necessidade de se fazer as próprias
panelas e potes de barro, seus objetos para o uso diário,
quando as latas e os plásticos estão ganhando
terreno, substituindo os antigos fazeres, invadindo o interior.
As mesmas possuem uma maior durabilidade, são bem
menos frágeis e apesar de mais caras
representam um mundo novo, anunciado pela tv.
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