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Grupo:
Lino Junkel
Iara Ribeiro
Raquel Rascoe
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ARTE
E TRABALHO NOS PERÍODOS PALEOLÍTICO E NEOLÍTICO
Segundo
todos os indícios, os criadores dos desenhos paleolíticos
eram caçadores profissionais (daí o seu conhecimento
perfeito dos animais). Isso nos leva a crer que por serem
"artistas" não eram isentos do trabalho.
Mas por outro lado, há indícios que nos levam
a pensar que havia uma certa diferenciação,
já que a representação desses animais
tinha objetivos mágicos. Então, os indivíduos
que tinham a capacidade de fazer esse trabalho deviam ser,
considerados dotados de poderes mágicos, o que podia
implicar certos privilégios (talvez isenções
parciais da recolha de alimento, por exemplo).
Esse artista mágico pode ser considerado o primeiro
representante da especialização e da divisão
do trabalho. Ele se destaca da massa indiferenciada, junto
do curandeiro e do mágico propriamente dito como
o primeiro profissional. Podemos dizer ainda que foi o precursor
da classe sacerdotal, que mais tarde reivindicaria a isenção
do trabalho corrente.
A isenção (total ou parcial) das tarefas diárias
de uma classe mostra, numa sociedade que dependia dessas
tarefas, que esta sociedade já conseguia "sustentar"
especialistas. Dessa forma a existência de obras de
arte é indicio de uma certa abundância dos
meios de subsistência.
A passagem do período paleolítico para o neolítico
foi marcada por uma viragem geral na cultura e na civilização
do homem pré-histórico.
O homem deixa de viver parasitariamente à custo da
natureza e passa a produzir os meios necessários
à própria alimentação. Ele domestica
os animais e as plantas (pastorício a agricultura)
e começa a conquistar e a dominar a natureza, tornando-se
(até certo ponto, independente dos caprichos do acaso).
Inicia-se nesta fase o fornecimento organizado das matérias-primas
necessárias à vida. O homem começa
a trabalhar e a ser agricultor, a constituir as formas básicas
do capital. Uma diferenciação da sociedade
em camadas e classes começa a surgir, com a posse
de terras, domesticação de animais, posse
de ferramentas e provisões de alimentos, surgem também
a organização do trabalho, a divisão
das funções a diferenciação
profissional: apascentação de rebanhos e cultivo
do solo, produção primária e manufatura,
comercio especializado e industrias domesticas, trabalho
masculino e feminino, trabalho no campo e defesa da terra
vai se constituindo atividades que cada vez mais diferenciam-se
entre si.
Com esta transição do estágio de recolha
de alimentos e caça (do paleolítico) para
o da criação de gado e cultivo de vegetais,
o próprio ritmo de vida se modificou. Os grupos nômades
transformaram-se em comunidades sedentárias , os
grupos socialmente inarticulados e desintegrados dão
lugar a corpos sociais integrados.
A nova forma de economia implicava uma certa estabilidade,
uma economia de previsão, de cooperação.
Comunidades mais ou menos centralizadas e governadas de
forma uniforme.
Os ritos religiosos e os atos de culto tomam lugar da magia
e da esconjuração. Ao tomar consciência
da dependência que tinham do bom e mau tempo (quando
começaram a criar gado e plantas) o homem começou
a admitir que seu destino era dirigido por forças
sobrenaturais e é aí que surge o espírito
de culto, a crença na sobrevivência da alma
e do culto dos mortos.
Com essas crenças e os atos de culto surge a necessidade
de ídolos, e os atos de culto surge a necessidade
de ídolos, amuletos, símbolos sagrados, ofertas
nativas, cerimônias fúnebres e monumentos funerários.
Surge a distinção, entre arte sagrada e profana,
arte de representação religiosa e arte de
ornamentação secular.
Com essa diferenciação da arte em sagrado
e profano, a atividade artística da época
neolítica passou para a mão de dois grupos:
- Homens (sobretudo mágicos e sacerdotes): cuidavam
da arte sepulcral, da escultura dos ídolos e da execução
de danças rituais enfim da arte sagrada.
- Mulheres: a elas foi atribuída a arte profana relegada
à categoria de ofício, e que devia constituir
uma parte de sua atividade doméstica.Função
meramente decorativa.
Essa fusão da atividade artística com outras
atividades (ocupações domesticas da mulher)
foi um retrocesso no ponto de vista da divisão do
trabalho e diferenciação profissional,e levou
ao fim (por algum tempo) da classe dos artífices
profissionais. Nesse estágio da evolução
o trabalho artesão (talvez exceto a arte de armaduras)
passou a constituir uma atividade subsidiária. No
entanto a produção artística, contrastando
com o trabalho manual, evoluiu independente e passa a assumir
um aspecto mais diletante contrastando com o estilo naturalista
do paleolítico, a arte do neolítico se torna
estilizada e geométrica, com sinais esquemáticos
e convencionais, que sugerem mais que reproduzem.
Não se sabe se o fim da classe independente dos artistas
gerou a simplificação e esquematização
das formas artísticas, ou se foi o resultado desta
simplificação.
A arte neolítica tem a marca de "arte camponesa",
tanto por suas formas tradicionalistas e impessoais, correspondentes
ao espírito conservador e convencionalista do agricultor,
quanto por ela ser o produto dos períodos de ócio
permitidos pelo trabalho agrícola.
Mas não tem o caráter folclórico e
popular da arte camponesa de nossos dias. Nem podemos dizer
"arte popular" antes de estar estabelecida a divisão
das sociedades rurais em classes. E ao ser estabelecida
essa divisão a arte camponesa da época neolítica
deixou de ser "popular", já que as obras
de arte passaram a ser destinadas às classes superiores
e a seu exaustada pelas mulheres destas classes. O trabalho
manual é ainda considerado uma forma de atividade
honrosa, pelo menos quando era realizada pela mulher em
seu lar.
BIBLIOGRAFIA
HAUSER, Arnold. História social da
Arte e da Cultura. Vol. I. Jornal do foro. Lisboa, 1959.
pp.19/39.
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