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ARTE E TRABALHO NOS PERÍODOS PALEOLÍTICO E NEOLÍTICO

Segundo todos os indícios, os criadores dos desenhos paleolíticos eram caçadores profissionais (daí o seu conhecimento perfeito dos animais). Isso nos leva a crer que por serem "artistas" não eram isentos do trabalho. Mas por outro lado, há indícios que nos levam a pensar que havia uma certa diferenciação, já que a representação desses animais tinha objetivos mágicos. Então, os indivíduos que tinham a capacidade de fazer esse trabalho deviam ser, considerados dotados de poderes mágicos, o que podia implicar certos privilégios (talvez isenções parciais da recolha de alimento, por exemplo).
Esse artista mágico pode ser considerado o primeiro representante da especialização e da divisão do trabalho. Ele se destaca da massa indiferenciada, junto do curandeiro e do mágico propriamente dito como o primeiro profissional. Podemos dizer ainda que foi o precursor da classe sacerdotal, que mais tarde reivindicaria a isenção do trabalho corrente.
A isenção (total ou parcial) das tarefas diárias de uma classe mostra, numa sociedade que dependia dessas tarefas, que esta sociedade já conseguia "sustentar" especialistas. Dessa forma a existência de obras de arte é indicio de uma certa abundância dos meios de subsistência.
A passagem do período paleolítico para o neolítico foi marcada por uma viragem geral na cultura e na civilização do homem pré-histórico.
O homem deixa de viver parasitariamente à custo da natureza e passa a produzir os meios necessários à própria alimentação. Ele domestica os animais e as plantas (pastorício a agricultura) e começa a conquistar e a dominar a natureza, tornando-se (até certo ponto, independente dos caprichos do acaso).
Inicia-se nesta fase o fornecimento organizado das matérias-primas necessárias à vida. O homem começa a trabalhar e a ser agricultor, a constituir as formas básicas do capital. Uma diferenciação da sociedade em camadas e classes começa a surgir, com a posse de terras, domesticação de animais, posse de ferramentas e provisões de alimentos, surgem também a organização do trabalho, a divisão das funções a diferenciação profissional: apascentação de rebanhos e cultivo do solo, produção primária e manufatura, comercio especializado e industrias domesticas, trabalho masculino e feminino, trabalho no campo e defesa da terra vai se constituindo atividades que cada vez mais diferenciam-se entre si.
Com esta transição do estágio de recolha de alimentos e caça (do paleolítico) para o da criação de gado e cultivo de vegetais, o próprio ritmo de vida se modificou. Os grupos nômades transformaram-se em comunidades sedentárias , os grupos socialmente inarticulados e desintegrados dão lugar a corpos sociais integrados.
A nova forma de economia implicava uma certa estabilidade, uma economia de previsão, de cooperação. Comunidades mais ou menos centralizadas e governadas de forma uniforme.
Os ritos religiosos e os atos de culto tomam lugar da magia e da esconjuração. Ao tomar consciência da dependência que tinham do bom e mau tempo (quando começaram a criar gado e plantas) o homem começou a admitir que seu destino era dirigido por forças sobrenaturais e é aí que surge o espírito de culto, a crença na sobrevivência da alma e do culto dos mortos.
Com essas crenças e os atos de culto surge a necessidade de ídolos, e os atos de culto surge a necessidade de ídolos, amuletos, símbolos sagrados, ofertas nativas, cerimônias fúnebres e monumentos funerários. Surge a distinção, entre arte sagrada e profana, arte de representação religiosa e arte de ornamentação secular.
Com essa diferenciação da arte em sagrado e profano, a atividade artística da época neolítica passou para a mão de dois grupos:
- Homens (sobretudo mágicos e sacerdotes): cuidavam da arte sepulcral, da escultura dos ídolos e da execução de danças rituais enfim da arte sagrada.
- Mulheres: a elas foi atribuída a arte profana relegada à categoria de ofício, e que devia constituir uma parte de sua atividade doméstica.Função meramente decorativa.
Essa fusão da atividade artística com outras atividades (ocupações domesticas da mulher) foi um retrocesso no ponto de vista da divisão do trabalho e diferenciação profissional,e levou ao fim (por algum tempo) da classe dos artífices profissionais. Nesse estágio da evolução o trabalho artesão (talvez exceto a arte de armaduras) passou a constituir uma atividade subsidiária. No entanto a produção artística, contrastando com o trabalho manual, evoluiu independente e passa a assumir um aspecto mais diletante contrastando com o estilo naturalista do paleolítico, a arte do neolítico se torna estilizada e geométrica, com sinais esquemáticos e convencionais, que sugerem mais que reproduzem.
Não se sabe se o fim da classe independente dos artistas gerou a simplificação e esquematização das formas artísticas, ou se foi o resultado desta simplificação.
A arte neolítica tem a marca de "arte camponesa", tanto por suas formas tradicionalistas e impessoais, correspondentes ao espírito conservador e convencionalista do agricultor, quanto por ela ser o produto dos períodos de ócio permitidos pelo trabalho agrícola.
Mas não tem o caráter folclórico e popular da arte camponesa de nossos dias. Nem podemos dizer "arte popular" antes de estar estabelecida a divisão das sociedades rurais em classes. E ao ser estabelecida essa divisão a arte camponesa da época neolítica deixou de ser "popular", já que as obras de arte passaram a ser destinadas às classes superiores e a seu exaustada pelas mulheres destas classes. O trabalho manual é ainda considerado uma forma de atividade honrosa, pelo menos quando era realizada pela mulher em seu lar.

BIBLIOGRAFIA
HAUSER, Arnold. História social da Arte e da Cultura. Vol. I. Jornal do foro. Lisboa, 1959. pp.19/39.