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Grupo:
Lino Junkel
Iara Ribeiro
Raquel Rascoe
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Artesanato
A
palavra arte pode assumir várias significações
na linguagem, falando-se da transformação
da matéria bruta pelo homem, ela pode representar
uma forma de produção quando se desenvolve
na procura do útil; ou uma forma de expressão
se se desenvolve na procura do belo. Quando a palavra arte
for citada neste texto deve ser entendida tal como nos fala
Aristóteles; arte mecânica, técnica,
arte de fazer ou simples ofício.
Inicialmente
faremos algumas distinções entre a palavras
usadas de maneira incorreta:
A
primeira distinção que nos ocorre deve-se
fazer entre molde, que é forma; e padrão que
significa regularidade. Com molde se produzem objetos iguais
ou cópias, sem originalidade alguma. Os balaios são
padronizados e os adobes são moldados. Não
devemos confundir padrão com uniformidade. Embora
padronizada, cada peça feita à mão
é única, não se confunde com nenhuma
outra, nem da mesma espécie, ainda que tenha sido
elaborada no mesmo dia e pela mesma pessoa.
O
estilo do artesão empresta originalidade a seus objetos,
como que a marca pessoal, enquanto o padrão é
a marca do grupo. Cada artesão escolhe um estilo,
mas não deixa de ser influenciado pelo ambiente (a
natureza) em que vive e pelos modos de vida própria
da área cultural que pertence.
A
escolha do campo de trabalho artesanal do ofício
ou especialidade é ditada pelo material adequado
a transformação e abundante no lugar. Isso
ocorre dos recursos naturais.
Os
índios da Ilha de Marajó foram nossos melhores
ceramistas, naturalmente porque dispunham de boa argila
e no entanto não conheciam a pedra. Ao contrário
dos índios da região do Amapá, Sacia
do Rio Oiapoque foram grandes artesãos de objetos
líticos pois estes dispunham de pedra e não
de argila.
A
aprendizagem de trabalho artesanal é adquirida de
maneira prática e formal, ele se da nas oficinas
ou na vivencia do indivíduo com o meio artesanal
onde o aprendiz maneja a matéria-prima e as ferramentas
e imita os mais entendidos no ofício de sua preferência.
É comum o artesão servir-se de pequenas ferramentas,
que na maior parte das vezes é desenvolvida por ele
mesmo devido a necessidade de seu trabalho que o obriga
a pensar e desenvolver. Emprega-se no artesanato o material
disponível, gratuito ou de baixo preço. No
artesanato indígena ou no folclórico esse
material é normalmente extraído do local,
mas não deixa de ser artesanato a produção
de objetos com o aproveitamento de retalhos de papel, panos,
fios de arame, de linha etc. A atividade artesanal esta
ligada aos recursos naturais do estilo de vida e do grau
de comércio com comunidades vizinhas sendo o artesanato
uma manifestação da vida comunitária,
o trabalho se orienta no sentido de produzir objetos de
uso mais comum no lugar, seja em função utilitária,
lúdica, decorativa ou religiosa. Não podemos
falar em artesanato somente com o objetivo comercial, pois
ele pode ser produzido para consumo próprio ou mesmo
doação sem perder sua característica
artesanal.
É
comum confundirmos artesanato com rusticidade mas é
importante observar que neste regime de trabalho fazem-se
tantos objetos rústicos como bem acabados, pois o
artesanato se define pelo processo de produção
de objetos e não pelas qualidades práticas
que pode ser emprestada a este no ato de fazer.
Artesão
Artesão
é a pessoa que faz a mão objetos de uso freqüente
na comunidade. Seu aparecimento foi resultado de pressão
da necessidade sobre a inteligência aliada ao poder
de inovar, possibilitando também ligar o passado
ao presente, mediante a linguagem; possibilitou as gerações
mais novas receber das mais velhas, suas técnicas
e demais experiências acumuladas.
Perspectiva
histórica do artesanato
O
regime de trabalho que reúne as diferentes técnicas
manuais de produção só recentemente
ganhou nome, embora história assinala a presença
de objetos feitos a mão em todas as épocas
e nas mais variadas culturas. A atividade artesanal é
muito antiga, há pelo menos meio milhão de
anos o homem de Pequim conhecia e já fazia uso do
fogo e sabia fabricar instrumentos de quartzo e de grés.
No
Brasil em seus primeiros anos de colonização
foram instaladas oficinas artesanais que se espalharam por
todas as comunidades urbanas e rurais, onde os artesãos
tiveram ensejo de desenvolver suas habilidades. Mas através
da Carta Régia de 30 de julho de 1766 D. José
I manda destruir as oficinas de ourives e declara fora da
lei a profissão. Sei exemplo foi seguido por sua
sucessora no trono D. Maria I, que perseguiu quase todas
as formas artesanais do Brasil. Aos alvarás da Rainha
Maria I, seguem-se o de 5 de janeiro de 1785 e o de 26 de
janeiro do mesmo ano que proibiam a tecelagem caseira na
colônia, abrindo apenas exceção para
a tecelagem de panos grossos e que fossem destinados a vestir
escravos. Esta situação só se reverteu
com a carta régia do Príncipe Dom João
de 1º de abril de 1808, que anulava alvarás
proibidos de sua mãe e autorizava a atividade industrial
caseira fosse ela qual fosse.
D.
Pedro I, na constituição autorgada de 25 de
março de 1824 aboliu as corporações
de ofício no Brasil, seguindo assim o exemplo francês
embora atrasado.
A
carta da República de 14 de fevereiro de 1891 como
a de 16 de julho de 1934 omitiam-se completamente, ignorando
o artesanato. Mas a Constituição de Getúlio
Vargas de 10 de novembro de 1937 amparou-o no seu artigo
136. "O trabalho manual tem direito à proteção
e solitudes especiais do Estado". As cartas que se
seguiram silenciaram-se com relação ao artesão.
As únicas referencias proíbem diferença
entre o trabalho manual e técnico ou cientifico,
em parágrafo único nº XVII art. 157 da
de 18 de setembro de 1946 e em o nº XVIII do artigo
158 da Constituição Castelana de 24 de janeiro
1966. Países mais adiantados não se omitem
em relação ao artesanato e protegem sua industria
caseira e reconhecem sua elevada importância econômica
e social.
O
conceito de artesanato
Inicialmente
o que caracteriza o artesanato é a transformação
da matéria-prima em objetos úteis, quem realiza
esta atividade denomina-se artesão, este reproduz
objetos que chegaram até ele através da tradição
familiar ou cria novos de acordo com suas necessidades.
Para
evidenciar melhor este conceito vamos definir o que não
é artesanato.
- A
industria têxtil ou manufatureira não se
encaixa neste conceito pois há o predomínio
da máquina ® é
a fábrica, ali se produz tecidos, afinetos, aparelhos
eletrodomésticos, muitos objetos etc, quem trabalha
neste local denomina-se operário.
- Artes
puras ou desinteressadas, em que se produzem bens artísticos
em estúdios ou ateliês. Os profissionais
normalmente possuem elevados sentimentos estéticos
e formação erudita. Estes denominam-se artistas.
- Artes
industriais ou ofícios - o lugar de trabalho é
a oficina e os obreiros são artífices. A
produção é mais ou menos organizada,
e decompõe-se em várias fases ou operações
elementares a que se costuma chamar de diversão
do trabalho. Os objetos resultantes é criações
de muitos, elas são produzidas em série
embora não sejam obtidas em molde.
- Industria
popular ou caseira, onde a matéria prima sofre
transformação a fim de se transformar em
bem econômico, exemplo: fubá, polvilho, cachaça,
sabão etc.
Outras
características do artesanato
- Como
sistema de trabalho que engloba os diversos processos
de artesão, o artesanato assinala um avanço
cultural e só apareceu como conseqüência
da divisão de campo ocupacional no período
histórico em que a precisão de meios de
subsistência e os hábitos de vida em sociedade
passaram a exigir maior produção de bens.
- Sendo
o artesanato uma manifestação de vida comunitária,
o trabalho se orienta no sentido de produzir objetos de
uso mais comum no lugar, seja em função
utilitária, côo lúdica, decorativa
ou religiosa.
- O
artesanato é um sistema de trabalho do povo, se
bem que pode ser encontrado em todas as camadas sociais
e níveis culturais. Podendo ser denominado artesanato
indígena, ou primitivo, folclórico ou semi-erudito,
requintado.
- O
artesanato é pratico, sendo informal sua aprendizagem.
O que o artesão faz, cria-o ele próprio
ou aprender na tenda artesanal da família ou do
vizinho, observando como este fazia, pela vivencia e pela
imitação, vendo-o trabalhar. Não
se receber aulas teóricas; aprende-se a faze, fazendo;
pratica-se porque quer; age-se voluntariamente. Vai daí
o acentuado cunho pessoal do trabalho artesanal, apesar
da vulgaridade da maioria das peças produzidas
nesse sistema.
Não
se deve confundir artesanato, que é fonte de produção,
com o produto dele resultante. Produto é coisa e
artesanato é o conjunto de maneiras pelas quais a
coisa é feita.
Importância
do artesanato
No
processo evolutivo da raça humana, a atividade econômica
deve ser examinada como etapa inicial. Sem trabalho, o homem
não avança sequer um palmo na via esplendida
do progresso. E foram as mãos que abriram o caminho
para a longa e vitoriosa jornada que inda prossegue.
Desde
tempos remotos, conforme vimos, o homem inventou e fez instrumentos,
e descobriu processos que lhe aumentaram a eficácia
da ação produtiva. À soma de tais possessos
acreditamos poder chamar artesanato, embora nascente, porque,
àquela época, eram as técnicas reduzidas
em número e bastante elementares.
Além
dessa sua importância histórica, o artesanato
abrange outros valores, os quais hoje o tornam reconhecido,
universalmente. Os povos mais desenvolvidos do mundo criam
instituições destinadas ao seu incremento
e o realizam mediante exposições periódicas
e feiras anuais de objetos de arte popular, com distribuição
de prêmios aos primeiros artesãos colocados,
levantamentos de mapas artesanais, amparo comercial e outras
medidas inteligentes.
Esse
interesse fora do comum pelos trabalhos manuais se explica,
provavelmente,com o receio às conseqüências
do avanço tecnológico.
Examinaremos
agora o artesanato sob alguns pontos de vista;
Social
Possibilitando ao artesão melhores
condições de vida e atuando contra o desemprego,
o artesanato pode ser considerado elemento de equilíbrio
no país e fator de coesão, de paz social.
Conforme se sabe, este sistema de trabalho conta com a participação
ativa da família. O lar, então, além
de centro de vida é também núcleo de
aprendizagem profissional. Outrossim, o mestre-artesão
desempenha um papel relevante na comunidade e sua arte é
fator de prestígio.
Artístico
O artesanato desperta as aptidões
latentes do obreiro e aprimora-lhe o intelecto. Suas mãos,
obedientes a impulsos mentais e inteligentes, deslocam a
matéria-bruta, grosseira e passiva, e convertem-na
com o calor de sua imaginação em coisa útil
e por vezes bela. É a idéia que deseja a forma.
Vale repisar que o povo não faz arte desinteressada
ou arte pela arte, mas, não raramente, sobre ser
utilitária, suas peças são bem acabadas,
produzidas com esmero e revelam bom-gosto. Se o artesão,
alem de habilidade manual, possuir talento e sensibilidade,
aí então ele vira artista. Desse modo, sua
experiência artesanal seria apenas uma fase de formação
artística.
Pedagógico
Isto quer dizer que os trabalhos manuais
são de grande valor para a criança em idade
escolar, principalmente os de carpintaria, modelagem e papel
recortado. Doutra parte, considera-se o artesanato como
excelente meio para a educação de certos,
que, se bem orientados nesse plano, podem adquirir habilidade
prodigiosa e se realizarem na vida, plenamente.
Moral
O artesanato pode dar causa ao aperfeiçoamento
espiritual e moral do artesão, sendo certo que o
trabalho afasta a pessoa dos vícios e da delinqüência,
Daí o provérbio "cabeça de desocupado
é tenda de satanás", cuja sabedoria e
exatidão certamente não se põem em
dúvida.
Terapêutico
O artesanato abranda o temperamento hostil
ou agitado de pessoas que sofrem desvios de personalidade,
as quais poderão corrigir suas aberrações
através da ocupação manual. Se, por
exemplo, um tipo psicológico agressivo deseja fazer
mal a alguém, ele o realiza digamos no barro,
e então se satisfaz, por transferência, assim
se liberta do incômodo, livra-se de seu estado de
tensão e obtém o equilíbrio intrapsíquico
ou paz interior. Esse trabalho se recomenda ainda a certos
enfermos que são obrigados a permanecer no leito
durante muito tempo, embora tenham válidas as mãos
e possam produzir certos objetos que exigem mais habilidade
e paciência do que esforço físico.
Cultural
O artesão imprime traços de
sua cultura nos objetos que produz, consciente ou inconscientemente.
Muitas de suas tradições, como símbolos
mágicos e crenças, ficam marcadas em suas
peças.
Psicológico
O artesão se sente valorizado com sua
arte porque faz objetos que têm serventia e isto lhe
dá a certeza íntima de ser útil à
comunidade. Ademais, e apesar do caráter regional
do artesanato, o objeto produzido não deixa de ser
o resultado de ato do artesão, que nele imprime a
marca de sua personalidade. A psicotécnica adota
medir certas dimensões psíquicas através
de minucioso exame de objetos feitos a mão, nos quais
a pessoas, inconscientemente, registra suas intenções
e desejos e revela sua linha de comportamento.
A
proteção ao artesanato
O
progresso tecnológico refletiu mal sobre o artesanato,
desestimulando-o. Para competir com a fábrica, o
artesão começou, então, a produzir
objetos sem aquele esmero e acabamento que valorizam tanto
sua obra. A esse fator negativo, juntam-se a falta de incentivos
, caracterizada principalmente pela injustiça da
Lei, que protege o salariado e olvida o artesão;
o xenofilismo ou exagerada preferência pelo artigo
importado, desprezando-se o que é nosso, genuíno;
a influencia da moda, que se opõe às formas
tradicionais e conseqüentemente ao artesanato; e o
intermediário, que,dentre os inconvenientes aqui
enunciados seja, talvez, o mais nefasto.
Deve-se
enfrentar o império da máquina, absorvente
e monopolizadora, que substituiu o homem e o torna mero
auxiliar dela, como também essoutros motivos
de desanimo do artesão, cujo estado se nos afigura
como que a soma e a mistura de todas as causas de desprestígio
ou mesmo de decadência do artesanato. Assinale-se,
nessa luta pelo incremento artesanal, que a peça
feita a mão valoriza o homem porque ela é
resultado de sua própria criação e
habilidade, ela contém parte de si mesmo não
é cópia. E ainda que, do ponto de vista comercial,
sua venda se faça abaixo do justo preço, a
moeda que advir dessa troca vai contribuir par ao orçamento
doméstico e par ao aumento do nível de vida,
pois tal peça se produz, em geral, nas oras de folga,
como atividade subsidiária ou recreativa.
Nas
condições primitivas em que se acha nas mais
vezes, o regime de trabalho manual necessita de um estímulo
vigoroso e pertinaz para se desenvolver, sendo que isto
só se conseguirá mediante uma ação
de Governo. Daí por diante é possível
seu incremento natural, conforme se pode testemunhar com
os resultados que se observam na Europa e na Ásia.
De fato, países evoluídos daqueles continentes
cedo percebem a conveniência em fomentar sua industria
popular e seu artesanato, vale dizer aumentar as ocupações
lucrativas. Abriram-se, então, instituições
oficiais e particulares, que significaram o término
de graves crises sociais e a elevação socioeconômica
do povo, que passou a viver sem a angústia de pressões
financeiras.
Não
convém é que essa ajuda se faça de
maneira ostensiva, mas cautelosa e pacificamente. A proteção
deve limitar-se, traduzida em gráfico, a uma faixa
cujos bordos se denominam intervenção e liberdade.
Nem intervencionista nem liberalista. Aqui seria pecar pelo
abandono, pelo laissez-faire, por deixar o artesão
fazer o que quer, agir como criança ou como se vivesse
na era lítica, com desperdício de esforço
e tempo. O outro extremo se identificaria com o constrangimento
do artesão e sua total submissão a esquemas
rígidos ou formais, desnaturando-lhe o fluxo criador
e sua puras manifestações de cultura popular
e tradicional.
Desse
modo, qualquer plano de proteção ao artesanato
deve preceder-se de estudos bem dirigidos e deve ser elaborado
com a convicção plena dos bons resultados
que serão obtidos e segundo os objetivos a que se
tem em vista alcançar. Primeiro, toma-se consciência
do problema artesanal; em seguida, assume-se a posição
mais adequada à realidade; afinal, é necessário
agir, com o fim de cristalizar as idéias.
A
proteção ao artesanato se esquematiza de modo
que produza efeitos a longo prazo e a curto prazo.
O
plano de proteção a longo prazo abrange a
pesquisa, o ensino técnico-artesanal e a expansão
turística.
A
pesquisa se destina ao conhecimento da realidade artesanal,
recursos naturais disponíveis em cada região
e mercado consumidor. A realidade a que nos referimos nesta
epígrafe se relaciona com as formas usuais e suas
características, com os processos empregados na produção
de objetos úteis e com as condições
sociais de trabalho. A pesquisa é que vai indicar
o ramo artesanal adequado ao lugar, tendo em vista, naturalmente,
os fatores de natureza ecológica.
BIBLIOGRAFIA:
MARTINS,
Saul. Contribuição ao Estudo Cientifico do
Artesanato. Belo Horizonte. Imprensa Oficial do Estado de
Minas Gerais. 1973.
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