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Renato
Melo Dolabella
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Diário
de Bordo 16/05/2001
Datas
das próximas atividades:
21/05
Centro Cultural da UFMG
23/05
Apresentação do Xavier 9:00 horas
28/05
Grupo de Comunicação Visual
30/05
Textos a serem debatidos 9:00 horas
Levantada
a questão da tapeçaria que não é
citada em Concursos ou Salões, não tendo o
seu espaço de apresentação legitimado
(tecelagem/tapeçaria/artes da fibra).
Na
própria Integrarte evento da Escola de Belas
Artes de que forma seria apresentada
e/ou avaliada?
Nesta
discussão a tapeçaria seria considerada
artesanato.
A
partir dos anos 70, a tapeçaria já foi
considerada como arte, apesar de ainda ser considerada
uma das artes menores junto com a cerâmica e a
gravura.
Colocada
a questão de como abordar tal assunto, havendo
disciplinas desta área que são ministradas
na Escola de Belas Artes, e de que forma colocar um
contraponto no que é considerada arte maior e
no que é considerada arte menor.
Com
o surgimento da academia, na metade do século XVII,
é que são apontadas as diferenças do
que são artes maiores e artes menores. As artes maiores
seriam a pintura, a escultura e o desenho ( que em determinado
momento é considerado processo preparatório
para a pintura e a escultura ). As artes menores seriam
a gravura ( por ser usada como ilustração
e complementação de livros impressos ), a
tapeçaria e a cerâmica.
As sete
grandes artes são: a pintura, a escultura, a dança,
o teatro, a música, a poesia e o cinema.
As mesmas
falam sobre a beleza sem ter necessariamente uma aplicabilidade
funcional a não ser representar a própria
beleza.
Kant
pode ser aqui apontado como um dos filósofos que
abordam a arte desinteressada.
A arquitetura
não entraria nesta listagem por ser uma atividade
funcional.
A culinária
é essencialmente artesanal com uma função
específica.
A
culinária no Oriente possui o estatuto de religião
Taoísmo onde o fazer a comida é
um ato religioso. São ali verificados, nos alimentos,
conceitos como cor, formato e sentido das fibras.
No Brasil,
a culinária é estudada pelo folclore aparecendo
como arte mecânica.
A
aplicação da culinária dentro das
artes plásticas já pôde ser verificada
em obras de Salvador Dali ou Vik Muniz
Apresentados,
em sala, conceitos do "Dicionário Oxford de
Arte" versando sobre:
"Artesão
termo arquitetônico designativo do bloco de
madeira ou de pedra angular que, projetando-se do forro,
cobre a junção das nervuras das abóbodas.
As abóbodas góticas francesas eram de modo
geral muito altas, de modo que os artesãos normalmente
não recebiam decorações; na Inglaterra,
entretanto, há exemplos riquíssimos de decoração
escultural nos artesões, executados entre os séculos
XIII e XVI." (CHILVERS, p. 29)
"Belas
Artes termo aplicado às artes "superiores",
nãoutilitárias, por oposição
às artes aplicadas
ou decorativas. No uso mais comum, o termo abrange a pintura,
a escultura e a arquitetura (muito embora a arquitetura
seja obviamente uma arte "útil), abarcando também,
com freqüência, a poesia e a música. O
termo só surgiu no século XVIII, e importante
para sua divulgação foi a obra Les Beaux Arts
réduits à un même principe (1746), de
Charles Batteaux (1713-80). Batteaux dividiu as artes em
artes úteis, belas (escultura, pintura, música,
poesia) e as que combinam beleza e utilidade (arquitetura,
eloqüência). Pouco tempo depois, na Enciclopédia
de Diderot, o filósofo DAlembert (1717-83)
arrolou entre as belas-artes a pintura, a escultura, a arquitetura,
a poesia e a música. Essa lista firmou-se por si
mesma, e na Inglaterra o termo "cinco artes" era
por vezes usado com o mesmo significado."
(CHILVERS, p. 52)
Apresentada
a questão de quando houve a modificação
do conceito de artes plásticas para artes
visuais?
O termo
artes visuais faz referência aos novos meios tecnológicos
de produção da imagem. Que meios tecnológicos
seriam estes? A fotografia, o cinema, a televisão,
o vídeo e o computador. Então quando se toca
em artes visuais engloba-se, no campo da imagem, a utilização
de novas tecnologias.
O fazer
determina o lugar social de quem faz. O fazer determina
um status e está sempre ligado a uma hierarquia.
Existe o direito e a obrigação do fazer e
como se faz. Isto define inclusive a própria estrutura
social da produção deste fazer. Então
no caso das artes, a primeira sistematização
deste fazer, que já reflete esta hierarquização,
está diretamente ligada a esta distinção
entre artes liberais e artes mecânicas. Este é
um padrão que ainda é do mundo clássico
que a Idade Média absorve, herda e utiliza para exatamente
a organização social deste fazer. Com o advento
do Renascimento, este tipo de padrão é relativizado
e entra em cena um novo padrão que vai classificar
o fazer artístico como o fazer das Belas Artes, por
que a relação que se impõe é
a relação da beleza, é toda uma estrutura
platônica que aproxima o Belo do Bem e que considera
a Arte como o principal veículo da beleza. A Arte
tem como principal incumbência produzir a beleza porque
a beleza é uma qualidade divina e você produzindo
o belo, ou você reapresentando o mundo a partir do
viés idealizado da beleza, você está
criando um espaço privilegiado para a reaproximação
do homem com a sua própria essência, ou seja,
do homem com o divino.
Esta
classificação de Belas Artes vai perdurar
até a queda da mentalidade acadêmica. Então
ela vai do Renascimento até o final do século
XIX. Já a partir do final do século XVIII,
entra em cena uma outra possibilidade de leitura para a
estética, que é a parte específica
que reflete a arte pelo viés filosófico. A
estética até o século XVIII era cultivada
por esta idéia da beleza. A partir do século
XVIII, com o advento da ciência, a estética
passa a ser associada ao conceito de sensorialidade e aí
já tem-se o germe para o processo de transformação
das Belas Artes para as Artes Plásticas que aí,
digamos, seria uma terceira classificação
do fazer artístico, que remete ao tato à
plasticidade do material. Rodin já está querendo
trazer esta plasticidade do material e é por isto
que ele é extremamente revolucionário e é
considerado o pai da escultura moderna. Este valor tátil
do material era, até este momento, completamente
domado e condicionado à técnica e ao fazer
que refletia a beleza. Rodin, por exemplo, é primeiro
escultor que considera o fragmento, ou o estudo, como modo
acabado. Ele tira o fragmento da prateleira e o coloca no
pedestal. Rodin é a primeira pessoa que começa
a querer discutir e a especular sobre a riqueza tátil
do material. Isto já é um campo específico
da Arte Moderna. O que a Arte Moderna vai querer discutir
é a especificidade do próprio fazer artístico
que envolve distinções entre bidimensionalidade
e tridimensionalidade, distinções muito específicas
entre pintura e escultura, questões relativas ao
material, às qualidade físicas do material
argila, do material madeira. Durante toda a primeira metade
do século XX, a fotografia não é arte.
A partir dos anos 60 inevitavelmente a fotografia passa
a ser arte. Com a desmaterialização, com a
arte conceitual, com a body-art, com a land-art, com o realismo,
o novo realismo francês não tem como. O próprio
conceito de arte fica completamente deslocado e aí
entram em cena os novos meios tecnológicos que produzem
a imagem. Então dos anos 60 já temos a fotografia,
o cinema e a televisão e uma nova classificação:
Artes Visuais. Esta é uma possibilidade de entendimento.
Das Artes Liberais e Mecânicas às Artes Visuais
passando pelas Belas Artes e pelas Artes Plásticas.
Existem pessoas que consideram pintura e escultura já
como Artes Visuais, o que não é errado. Já
se fala de Artes Visuais no Renascimento. Talvez Artes Visuais
seja uma classificação contemporânea,
que abarca de uma maneira mais completa, todas as possibilidades
de construção da imagem.
O visual
é priorizado de certa forma em detrimento dos outros
sentidos e aí é que se impõe no próprio
contexto do WebWorld. Se bem que a arte só aparece
como veículo, com instrumental de comunicação
e potencialização do visual, da imagem.
A questão
da arte e do emblema é muito importante para a História
da Arte até o século XVIII, mais principalmente
até o século XIX, que aí está
a fonte obrigatória para qualquer artista produzir
uma imagem do ponto de vista do século XV até
o século XVIII. É a partir do emblema, que
é um modelo a partir do qual todo artista se constituía
como artista, mesmo por que o emblema fala de uma imagem
que possui como principal função a veiculação
da beleza. A beleza como um bem, a beleza como valor ético,
como valor moral. Então a arte produzida do Renascimento
até o século XVIII, enquanto não há
este deslocamento da estética da beleza para a sensorialidade,
ela não tem outra possibilidade de ser produzida
a não ser a partir de referências feitas aos
emblemas. E os emblemas então são estas imagens
alegóricas que representam as virtudes, os vícios,
os fazeres, toda a dimensão abstrata da expressão
humana ela é materializada através de imagens
num contexto que se remete ao direito canônico e à
retórica. Então a Arte, até o século
XVIII, tem como principal função, uma função
ética e moralizante de aproximação
do homem com a sua própria essência que do
ponto de vista ocidental é obrigatoriamente religiosa.
Os temas tem que ser obrigatoriamente filiados aos emblemas.
E é por isto que as duas obras Emblemata,
de Alciatti, e Iconologia, de Cesare Ripa
obras publicadas no século XVI - são de fundamental
importância e irão definir a qualidade da imagem
até o século XVIII. Isto não quer dizer
que durante o século XIX programas de produção
de imagem que seriam elementos de sentido e caráter
funcional recorram ainda a estas imagens. Mais interessante
ainda é que esta construção deste padrão,
deste modelo da imagem, surge na verdade de uma máxima
de um pensador romano, da época do império,
que é "ut pictura poiesis"
de Horácio a pintura é como a poesia
a pintura tem que ser elaborada como a poesia, ou
seja, é uma vinculação da imagem à
linguagem verbal por que a linguagem verbal é a linguagem
que estrutura o pensamento da filosofia, da ética,
da moral. Então, a mesma técnica que garante
o conceito da pintura é a técnica que garante
o conceito da vitória verbal. Então a pintura
tem que ser elaborada a partir dos critérios previamente
determinados pela linguagem verbal. Então a pintura,
as artes visuais, de uma maneira em geral, até o
século XVIII, são dependentes desta estrutura,
deste conjunto de momentos. Ela vai em vontade de tornar
a arte independente, de tornar a arte autônoma, todo
este conceito ideológico que os pré-românticos
e os românticos tomam no início do século
XIX de querer que a Arte fale sobre a Arte, esta discussão
de Arte pela Arte é exatamente a reação
a esta dependência que antes a Arte tinha, este padrão
de modelos que era previamente determinados pela retórica
e pelo Direito Canônico, ou seja, pela linguagem verbal
e institucionalizada.
Bibliografia
apresentada em sala de aula:
CHILVERS,
Ian. Dicionário Oxford de arte. São
Paulo: Martins Fontes, 1996.
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