Diário
de Bordo 09/04/2001Apresentação
do trabalho fotográfico desenvolvido por Pedro abordando:
- Cerâmica
Saramenha (Paulo Rogério) desenvolvida
entre Ouro Preto e
Mariana
que remonta a uma tradição ceramista do
século XIX;
- Oficina
de Agosto no Bichinho (povoado) a 6 km de Tiradentes;
- Oficina
do Itamar em Prados - animais em madeira.
Questões
inerentes a este trabalho:
- formam
3 núcleos de atividade artesanal em Minas Gerais;
- indicação
produção manufatureira equipe /
distribuição de atividades;
- imagens
artísticas em dois dos pontos pesquisados;
- ponto
de partida uma pessoa.
Sugestão
para o Pedro de desenvolvimento de um texto para sua experiência
no contato com
cada das atividades listadas, visando discussão entre
os grupos.Pesquisa
Saulo critérios de avaliação
do que é artesanato sugestão de formulação
de texto
reflexivo sobre o assunto.Listagem
de artistas brasileiros contemporâneos (com projeção)
visando pesquisa dos mesmos:
Sandra
Cinto: desenhista, Casa Triângulo, participou
da última Bienal e última Feira
Arco em Madri.
Miguel
Rio Branco: fotógrafo, trabalha
como temática o abandono, com uma crítica
social muito forte. Ambientes sombrios, prostíbulos.
Restos e resíduos de lixo no meio da rua.
Cunho do trabalho muito subjetivo. Imagens oníricas.
Rosângela
Rennó: fotografia e texto.Trabalha
com um viés sociológico e político. Relação
entre homem e mulher, crimes sexuais, taras, marcas e cicatrizes
de presos no Carandiru.
Trabalho
muito poderoso.
Val
Barros: fotógrafa cearense. Projeto
Rumos Visuais. Pessoas em trânsito
em trens, no sertão nordestino.
Chico
Amaral: comunicador visual gráfico. Diagramação
de jornais (convidado pelo Estado de Minas).
Trabalho
conceitual bastante sofisticado, o lúdico materializado
no jogo de ping-pong, falando do eu e do outro, um sujeito
e sua complementariedade.
Rafael
França: videomaker gaúcho, trabalhando
em São Paulo. Grupo
de intervenção urbana, década de 70. Vídeos,
arte xerox, grafites.
Contraído
a AIDS, produção videográfica gira
em torno desta questão da identidade de um homossexual,
e toda a sua problemática inserido dentro da sociedade,
a relação amorosa e afetiva entre dois homens.
Todo um questionamento que vai incidir sobre a própria
imagem dele, quase que um espécie de obra autobiográfica
Vik
Muniz: o fio condutor de seu trabalho é
a fotografia envolvendo outras
linguagens com o desenho, o relevo, a pintura e o
objeto (tudo sendo sintetizado para a produção
de uma
imagem fotográfica).
Releituras
da história da arte.
Idéia
bastante lúcida da dimensão da imagem no contexto
contemporâneo. Trabalha
com a idéia de uma figuração e deslocamento
desta figuração.
Cabeça
da Medusa (Caravaggio)-
reaproveitamento
de uma imagem já existente, discutindo o próprio
estatuto da imagem. De uma imagem histórica, feita
com pintura, ele desloca para o campo do objeto. O suporte
é o prato e o que seria a tinta para a construção
da imagem é macarrão e molho de tomate..
Qual
o limite entre pintura, o objeto e a comida? De que maneira
o homem produz imagens? Qual o tipo de relação
que o homem cria com a imagem? Que estratégias ele
utiliza neste processo de deslocamento e aproximação?
Coloca
em cheque o próprio estatuto da imagem. Discussão
entre o bi e o tridimensional.
Materiais
de seu trabalho - chocolate, alfinete, lixo, macarrão.
SURREALISMO:
surge de uma teoria muito própria e muito específica,
teoria
desenvolvida a partir da psicanálise.
O surrealismo
de Breton fala da construção de imagem e de
textos a partir do automatismo psíquico (conexão
com o inconsciente) que é uma capacidade de crítica
e de censura da razão e conseqüente construção
de imagens e textos completamente expontâneos e aleatórios.Para
Breton, a partir de determinado momento Dali não
é mais surrealista.
Marco
Paulo Rolla: desenhista, pintor. Reapropriação
de imagens já existentes imagens da comunicação
de massa, imagens de propagandas.
Apropriação
do mal gosto. Releitura
de um passado recente anos 50 e 60 momento
em que está-se construindo este aparato de propaganda
de eletrodomésticos.
Sexualidade
e morte. Trabalha
basicamente com o corpo humano e a inserção
deste corpo
dentro deste contexto da comunicação de massa.
Corpos
aparecem em situações completamente irreais
tangenciando o surrealismo na medida em que produz
imagens oníricas.Picnic de porcelana, como se tivesse
acabado de ser abandonado muito recentemente vanitas.
Bibelôs
de antiquários antigos que são quebrados, apresentado
em seu interior esqueletos e vísceras.
Para
falar da delicadeza bibelô - utiliza uma articulação
muito interessante.
VANITAS:
surge posterior a uma questão pedagógica do
corpo e dos cinco sentidos. Normalmente, numa pintura de
vanitas, do século XVII, surge referências
aos cinco sentidos.
O
corpo do homem barroco é um corpo altamente erotizado.
Talvez
o homem barroco tenha sido o homem, na sociedade ocidental,
que melhor potencializou os seus sentidos. Homem que vivia
o prazer sensorial com muito prazer e muito interesse.
Todos
os estímulos incidem diretamente sobre os sentidos
A sociedade
da época era altamente sofisticada, com uma consciência
do espaço bastante desenvolvida e sofisticada.Prazeres
da mesa: vinhos, queijos, carnes, tecidos, o acesso às
especiarias, os perfumes, o comércio De uma maneira
ou de outra, o tema vanitas, no século XVII, incide
sobre este refinamento, que está diretamente ligado
ao desenvolvimento do comércio (que já é
a incorporação do consumo como um hábito,
como um condicionamento).Então o que é que
a Igreja faz? Diante desta sociedade altamente rica e pródiga,
ela trabalha a construção da pedagogia dos
cinco sentidos.É sobre a sensorialidade que o tema
vanitas incide. Então criando toda uma valorização
moral da sensorialidade, e da possibilidade do prazer corpóreo
que a Igreja constrói o seu discurso. O tema Vanitas
foi desenvolvido tanto pelo contexto católico quanto
pelo contexto protestante. No contexto protestante, eles
criam um série de relações metafóricas
e formais entre os elementos que fazem parte da mesa e da
culinária com os órgãos sexuais femininos
e masculnos. Por exemplo, sardinhas abertas órgão
sexual feminino. Certos legumes, a relação
entre a vendedora e o comprador, como um jogo de sedução
representação da sedução
na pintura do século XVII.O tema vanitas foi um tema
desenvolvido especificamente pelo sociedade ocidental do
século XVII. Pintura barroca produzida na Europa
no século XVII.Vanitas Vanitatun vaidade das
vaidades lembre-se que um dia morrerás.Manoel
da Costa Ataíde, único pintor colonial mineiro
que trabalhou o tema da Vanitas. Já dentro de um
contexto tardio. A Ordem Franciscana priorizou a penitência
como principal atitude de salvação. A penitência
é o dístico da ordem Franciscana e a partir
daí a reapropriação de um tema que
não é um tema franciscano e sim um tema universalCorpos
de símbolos remetendo à questão da
morte, da transitoriedade: vela, flor no momento máximo
de sua beleza, seu perfume, caveira, instrumentos de música,
ampulheta, livros fechados, símbolos de produção
do conhecimento como esquadros, compassos, símbolos
de dignidade como coroas, tiaras, jóias; naturezas
mortas, frutos apodrecendo, cenas de refeições
interrompidas.Construção ideológica
e religiosa que pauta toda uma necessidade obrigatória
da religião a partir da consciência da morte.
Questionamento
proposto do deslocamento do VANITAS para dentro de um Shopping
Center na época atual como crítica. A situação
de dominação e condicionamento em um Shopping
Center é muito grande onde os meios de comunicação
exercem grande parte deste poder.
A leitura crítica e a análise são funções
do artista.
Paulo
Whitaker: pintor paulistano. Proposta
de trabalho crítica e renovadora.
Rafael
França Artistas
da exposição "Identités" José
Patrício Marlon
de Azambuja Artias
do Projeto Rumos Visuais 1999/2000
BIBLIOGRAFIA
apresentada em sala:
BASBAUM,
Ricardo. Escultura carioca: debates. Revista de arte
Item, Rio de Janeiro, nº 1,
junho 1995.
|