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26/09/07
EntreRiscos : exposição apresenta resultado
de projeto sócio-cultural realizado por alunas da EBA
Marco Auélio Reis
Fotos: Divulgação


Diversidade cultural, interação, e novas formas de olhar. Em linhas gerais era isso que Bianca Pena Solléro e Luciana Diniz Silva, alunas do curso de Artes Visuais da Escola de Belas Artes da UFMG, tinham em mente quando escolheram  uma comunidade rural  às margens do rio Amazonas, um grupo de candidatos aos cargos de deputado federal ou estadual, operários da construção civil, e estudantes de uma escola particular e outra  pública, para fazerem parte de seu projeto de pesquisa.

O resultado do trabalho, desenvolvido desde setembro do ano passado, está na exposição  "EntreRiscos", que fica em cartaz no Centro Cultural da UFMG, sala Ana Horta, até 10  de outubro. 

"Através das oficinas técnicas e dinâmicas pedagógicas o projeto aguçou uma sensibilidade diferenciada em cada participante. O objetivo foi desenvolver a percepção artística e, com isso, aumentar o interesse pela arte e pelo próprio contexto em que vivem, incentivando um olhar diferente sobre as possibilidades deste meio", explicam.

O nome do projeto, "EntreRiscos", conta Luciana Diniz, foi escolhido pela sua ambigüidade em potencial, já que poderia ser associado tanto ao ato de riscar e experimentar por meio do desenho, quanto ao fato das duas estudantes estarem levando a arte e suas inquietações à lugares pouco comuns, o que implicaria também correr algum risco.

"O que é arte e onde vocês vêm arte em suas vidas?" essa era a pergunta feita pelas duas estudantes aos participantes da oficina já na apresentação do projeto. Em seguida era lançado o desafio: "Ache alguma coisa no seu ambiente de convívio que você não nunca havia reparado e transforme isso em obra de arte". 

Bianca e Luciana ensinaram aos seis grupos de estudo* - por meio de oficinas e dinâmicas -, técnicas básicas de produção em arte para que eles pudessem produzir suas próprias obras,  retratando seu cotidiano através de técnicas diversificadas, usando materiais do seu dia-a-dia. "Cada grupo usou os elementos que eles tinham em mãos, eu não daria argila a um político, por exemplo", diz Luciana.

Aluna do sétimo período de licenciatura Bianca aponta essa ênfase no uso de objetos do cotidiano como sendo um dos diferencias do trabalho que elas desenvolveram em relação a uma abordagem tradicional do ensino da arte. "O professor entra com a metodologia e as aulas têm que seguir essa metodologia, inclusive o material utilizado nessas aulas é ele que escolhe. Nós preferimos que as pessoas usassem aquilo que elas tivessem em mãos, não levamos nenhum material justamente para incentiva-los a usar o que eles já tivessem".


Local: Centro Cultural UFMG.
Av. Santos Dumont, 174. Centro. Belo Horizonte - MG
Data: Até 10 de outubro
Horários: de 10:00h às 20:00h
Entrada Franca

 


Alunos da comunidade
rural de Juriti


Exposição no Centro Cultural


Operários da linha verde
em Belo Horizonte

 

* Divisão dos grupos de estudo por etapa do projeto

1ª etapa:

Grupo A: Políticos candidatos aos cargos de deputado federal ou estadual, que competiram nas eleições de 2006. Belo Horizonte – MG.

Grupo B: Operários da obra “Linha Verde” do governo estadual de Minas Gerais. Belo Horizonte – MG. 
2ª etapa:

Grupo C: Jovens estudantes de colégio particular (Magunum Agostiniano – unidade Cidade Nova, Belo Horizonte – MG) da classe média alta, dentro da faixa etária de 12 a 17 anos.

Grupo D: Jovens estudantes de colégio público ( Escola Estadual Caio Nelson de Sena localizada no Bairro Caiçara, Belo Horizonte – MG) da classe média baixa, dentro da faixa etária de 12 a 17 anos.
3ª etapa:

Grupo E:
População nativa de cidade rural, Juruti - PA

Grupo F: Funcionários da empresa Camargo Corrêa, etapa realizada na unidade de Juruti – PA.