02/06/06


 

Mabe Bethônico na Bienal de SP

A  professora e artista mineira expõe seu trabalho numa das maiores mostras internacionais do mundo.

Por Marco Aurélio Reis
Foto: Marcos Morais

 

A Bienal de São Paulo, que esse ano apresentará sua 27ª edição, é considerada por muitos especialistas como sendo uma das mais importantes bienais do mundo.Os milhares de visitantes que estão sendo esperados para o evento - que acontecerá de 07 de outubro a 17 de dezembro no parque do Ibirapuera -, irão conferir , entre as dezenas de obras mostradas na mega-exposição, o trabalho da artista plástica e professora do departamento de Desenho da Escola de Belas Artes da UFMG, Mabe Bethônico.

 

Mabe, que se formou em Artes Plástcias pela EBA em 1991 e posteriormente cursou o mestrado e o doutorado na Royal College of Art ( Londres), conta que o "museumuseu"  - trabalho que ela irá apresentar na Bienal e quem vem desenvolvendo desde 2000 -, é mais um esquema de idéias que propriamente um lugar museológico. O maior desafio para esse caso, explica a artista, é transpor essas idéias para o espaço físico.

 

Para Mabe, o recurso de usar terminais de computador para apresentar seu projeto - já que se trata, grosso modo, de um site na internet -, está fora de cogitação. "Trabalhos interativos, em uma exposição tão grande, não funcionam. Ou você tem uma manutenção constante a cada hora, ou você tem sua obra detonada e fechada por grande parte da exposição", afirma Bethônico, que brinca: "Por isso optamos por fazer uma coisa no-tech, nem é low-tech, é no-tech mesmo".

 

O "museumuseu"

 

Engana-se quem pensa que ao entrar no site museumuseu - cujo lançamento oficial esta planejado para acontecer um pouco antes da Bienal -, vai encontrar um acervo ou algo que se assemelhe ao conteúdo das páginas que museus tradicionais mantêm na  internet." É um espaço conceito e não tem a pretensão de ter acervo, de ser um espaço físico, ele explora conceitos de museu, usando de uma estrutura museológica para ser um não-lugar, para ser um não-museu", conta Mabe.

 

 

A relação entre o ficcional e o documental, o museu e a cidade, o tempo e a palavra, são questões-chave no trabalho da artista  e nas atuais discussões acerca da museologia. Justamente esse ponto que teria motivado o convite para a exposição em São Paulo: um dos eixos de curadoria da Bienal desse ano é o que dialoga com a obra  do artista belga Marcel Broodthaers (1924-1976). Broodthaers teve a questão do museu como um dos pontos marcantes de suas reflexões acerca da arte. 

 

No caso do museumuseu a artista ressalta que se trata de um projeto grande que conta com o apoio da EBA, da Pro-Reitoria de Pesquisa, da Fundep, da Fapemig, e que tem participação de alunos da graduação do curso de Comunicação, da Belas Artes e da Faculdade de Educação. 

 

Segundo Mabe, as instalações que serão apresentadas em São Paulo representarão apenas um recorte do projeto, já que se trata de uma pesquisa que objetiva manter-se permanentemente em construção. 

 

Onde:  www.museumuseu.art.br